lançamento do livro desterros, terreiros

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EFLYER

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Futuros sequestrados x o anti-sequestro dos sonhos (texto)

ontologias contemporâneas

Texto publicado no livro TERREIROS, DESTERROS da Pós-Graduação em Artes Visuais da EBA/UFRJ e apresentado no Encontro Nacional do GT de Ontologias Contemporâneas (IFCS/UFRJ e Filosofia/PUC/RJ).

Texto completo (pdf): futuros sequestrados x o anti sequestro dos sonhos – final

Áudio do texto (mp3):

 https://archive.org/details/FuturosSequestradosXOAntiSequestroDosSonhos_20171203

Ontologias Contemporâneas Puc/Rio – 29/11 a 01/12

Estarei participando do encontro Ontologias Contemporâneas promovido pelo departamento de Filosofia (Puc-Rio) do grupo de pesquisa Materialismos – trago para o encontro elocubrações sobre os sequestro dos sonhos – comunas oníricas – sistema anti-sequestro – redes de inconscientes, entre outras coisas. Esse encontro tá cheio de pensadores interessantes, e é uma boa pedida para ontólogas, metafísicas e neo-materialistas, incluindo simpatizantes ou críticos do aceleracionismo!!!

GT OC dia 1GT OC dia 2GT OC dia 3GT OC geral

DELUSIONAL EQUIPMENTS

zurique.jpg

Sunday 03/09/2017 – 18:30

Eisenbahnstrasse, 12 10997 – Berlin

Door – Simone Donha

 

DELUSIONAL EQUIPMENTS

Co-curators: Simone Donha e diogobo

Artists: Veridiana Zurita e Fabiane M. Borges

 

Unconscious networks, lineages of signs, typewriters, noise, immersion in the mountains, microphones, a garden, coffee, tobacco, salt statue, disruption of neurotic mirroring, schizophrenic salute to the sun, language efficacy fails, silences are fundamental speeches, kidnapping of the future, mining of dreams, suspension of common gestures, one with dreams the other with sound …

From this fictitious list, two immersive traits: “Don’t Eat the Microphone” and “Dreams Mining”. Veridiana Zurita e Fabiane M. Borges open up a conversation about the “creation of contexts” at the intersection between clinical and contemporary art practices.

DON’T EAT THE MICROPHONE is a practice where voicing is in a constant process of emergence and dissolution. We meet in the garden of the Psychiatric Center Dr. Guislain. We are neurotics and psychotics, artists, therapists, residents and outsiders. The invitation is to meet and share time, to hang around in a mode of listening and enunciation, to get suspended by the undoing of pathologies, to make noise, to voice narratives, to continue the other’s thought, gestures or simply to break it apart. Every week we create a context in between psychiatric and artistic institutions. People are welcome to come and go, enter and exit the session. https://www.mixcloud.com/DETM/

Veridiana Zurita is an artistic researcher. She proposes situations in which social roles might be suspended, can be twisted and maybe undone for a little while. Be it in the film Script where she and her mother switch roles between the artist and the psychoanalyst, or in the project Don’t Eat The Microphone in which psychiatric patients and artists gather while blurring the borders between normality and abnormality, or in the film Televizinho where she re-enacts Brazilian soap operas together with no-actors, she invests her practice to the undoing of normative roles. http://www.veridianazurita.com

DREAM MINING – Clinic*Art:  This work is based on the current scientific and theoretical speculative discussions about the era of anthropocene/capitalocene/etc and the ‘end of this world we know’, in contrast to alternative futurologies, animism and post colonization fictions. We create immersives dynamic conducted on different techniques of clinic and art. Dreams, cosmogonies, spectrology, production / listening noises, ritual immersion, self-experimentation, gestualization, fictionalization, performing and storytelling are the basic elements of the immersions. We like to create devices of resistance to the kidnapping of the future, as well as to strengthen the imagination and the dreams (Network of unconscious).

Course at Capacete, Rio de Janeiro/Bra/2016 –  – “Hijacked Futures vx Anti-Hijack of Dreamshttp://capacete.org/?p=1966&lang=en

Fabiane M. Borges is an artist, psychologist and essayist. Currently she is doing post-doctoral research in Space Culture in Visual Arts at nano/ppgav/eba/ufrj. She works in the intersection between art, technology and subjectivity. Is responsible for the organization of four books about art, internet, hacktivism,  one of the articulators of the technoshamanism network: – https://tecnoxamanismo.wordpress.com/blog/ blog: https://catahistorias.wordpress.com 

Sobre a Exposição da “Santa Pelada”

Sobre a Santa Pelada

Por Fabiane M. Borges

Para baixar em pdf: Sobre a Santa Pelada

santa pelada

O que eu estou fazendo sozinha com um bando de homens do time de futebol? Ao ser perguntada sobre isso por amigas que viram o fôlder da exposição do Santa Pelada, senti que deveria dar algum tipo de dica, ideia, justificativa. Então aqui vai:

Quando vim morar no Rio de Janeiro em 2007, fui parar no Bananeiras acolhida por Leonardo Videla e Beatriz Veneu. Tinha acabado de chegar, não conhecia ninguém, e a única coisa que tinha me trazido era a curiosidade. Dez anos antes tinha estado em Niterói para um encontro de Psicologia, mas nunca no Rio. De modo que depois de uma longa viagem para Amazônia com minha querida amiga indígena e indigenista Verenilde Pereira dos Santos, decidi que não poderia mais viver em São Paulo ou em Brasília, optando então por vir conhecer a cidade maravilhosa.

Logo nos primeiros dias Leonardo Videla me convidou para gravar umas imagens no futebol que eles faziam toda a terça feira de manhã, a “Santa Pelada”, feita só por artistas moradores de Santa Teresa. Fazia meio ano que se encontravam e eu fui conhecê-los. Fiz algumas gravações de vídeo, fui goleira algumas vezes, mas a parceria mesmo aconteceu nas resenhas, que era quando saiam por volta do meio dia para ir tomar cerveja no Bar do Gomes, e se atualizarem sobre os fatos da semana, sobre arte contemporânea, sobre as exposições, sobre a vida dos outros e tudo isso. Os artistas jogadores foram os primeiros amigos que fiz no Rio de Janeiro. E terça feira virou agenda para mim, ir para o jogo de futebol e logo para a resenha. Dali que comecei a me espalhar pela cidade.

Lógico que sempre me perguntei onde estavam as mulheres, pois eu nunca as via. Com algumas exceções de artistas mulheres que às vezes apareciam no jogo ou na resenha, a maioria das vezes eram só homens. Porque?

  • Os artistas de modo geral são muito machistas?
  • A ocupação dos espaços públicos é feita mais por homens porque as mulheres ficam mais nos espaços privados?
  • As mulheres bebem menos? Não gostam de se embriagar à toa?
  • Fica feio para as mulheres ficar bebendo de dia com um bando de homens porque elas vão sofrer assédio, preconceito, serem consideradas vadias?
  • Os homens têm mais capacidade de formar confraria e curtem mais sua própria companhia, jogar e beber numa terça de dia faz parte desse hedonismo masculino?
  • Não há possibilidade de jogo misto porque as mulheres não sabem jogar futebol de modo geral?
  • Enfim, porque as artistas contemporâneas não se ligam nessa tradição das terças feiras, ou pelo menos não montam uma tradição parecida para si? (Eu participaria com certeza)

Essas perguntas sempre foram tema de alguns debates nas resenhas, nunca se chegou a nenhuma conclusão, eu particularmente concordo com todas. As mulheres não têm tanta tradição assim de futebol (aos poucos isso vai mudando), os artistas homens são machistas sim, os homens ocupam mais os espaços públicos e as mulheres mais os privados (ainda), as mulheres de modo geral não bebem tanto quanto os homens, pelo menos publicamente. Basta ir a qualquer cidade grande ou pequena e perceber que as praças, os botecos, os jogos são ocupados majoritariamente por homens. As mulheres que ficam nas esquinas bebendo como os homens são consideradas vadias, vagabundas. “As mulheres da esquina do Gomes”, como ouvi vários homens comentando durante esses anos de Rio de Janeiro. Várias vezes tive essa discussão com Leo por exemplo, reclamando para ele dessas coisas que eu ouvia, desse machismo absurdo e preconceito contra as mulheres do espaço público.

Aqui aproveito para fazer uma homenagem as mulheres dos bares, porque elas são um alívio para todo sempre. Seja no Gomes, seja no Simplesmente, seja nesse vasto mundo. Recém chegada da Amazônia, pude constatar isso nos sete estados que eu tinha passado e nos três países amazônicos que tinha andado: sair para tomar uma no boteco da esquina era ter que se haver com um bando de homens. E isso pode ser muito divertido, mas é preciso sempre estar com o facão na bota, com as defesas afiadas e com a conivência protetiva – os aliados.

O Santa Pelada nunca foi misto, e apesar de alguns dos seus jogadores reclamarem disso, o fato é que nunca aconteceu. Por causa disso tudo: por causa do machismo do mundo. Ainda e de novo. Mas tem-se que abrir espaço. Espaço público para a ocupação feminina. Pois é o machismo que  impede as mulheres de estar na rua. Não a natureza, que não tem culpa nenhuma disso. Naturalizar essa situação não passa de uma invenção de gênero perpetuada por conveniência.

Apesar disso tudo, a amizade que fiz com os artistas jogadores do Santa Pelada sobreviveu durante todos esses 10 anos. Quando voltei a morar no Rio em 2013, pois em 2008 já tinha ido embora, para viver em alguns países da Europa e alguns estados brasileiros, não tive dúvida: Vou voltar a freqüentar o futebol das terças feiras e rever os amigos. E assim foi. Nesse meio tempo o futebol não ficou misto, nem as resenhas foram ocupadas por mulheres. E eu aceitei meu papel de representante feminina do time.

Uma década de Santa Pelada e essa exposição agora conta um pouco dessa história. Com seus sambas, seus enredos, suas camisetas, suas bandeiras, suas resenhas, suas amizades. Eu me pergunto se essa não seria a forma mais saudável de se fazer arte contemporânea? Claro, algo mais misto em relação a gênero, raça e classe, mas não seria o melhor formato?

Explico. Ao invés de um sistema de arte tão hierárquico e fechado, espaços tão disputados, inveja, calunia, plágio, fofoca, sucesso para uns e fracasso para outros, segregação, preconceito, desprezo, assédio de curador, assédio de colecionador, desnível de valor das obras, julgamento, dificuldade de abrir espaço, ser ou não convidado para a bienal, ter ou não o perfil dessa ou daquela galeria. Ao invés de tudo isso, porque não uma boa e clara pelada de rua (ou algo que o valha), onde os parceiros disputam dando risada, saem para beber juntos, montam exposição juntos, se ajudam na criação do conceito, promovem a celebração, respeitam as obras dos colegas, colaboram para que a coisa funcione bem para todo mundo, entre outras coisas?

Antes que me chamem de ingênua, inocente ou utopista, demonstro aqui minha alegria de estar fazendo parte desse time de expositores na Laurinda. A Exposição Santa Pelada é um exemplo de como podemos tratar a tal da Arte Contemporânea com muito mais horizontalidade e companheirismo do que o atual estado de excesso para uns e exceção para outros. Ou de invisibilidade para uns e super faturamento para outros, como lhe convém.

Terminando aqui o textinho, espero que as mestiçagens, as mixagens, as horizontalidades e a simplicidade do que possa ser uma pelada de rua ganhem a Arte Contemporânea.

FUTUROS SEQUESTRADOS X O ANTI-SEQUESTRO DOS SONHOS na casa de Suely Farhi – Rio de Janeiro

sonhos-suely

Curso organizado por in}ventos – suely farhi e Carla Strachmann

Executado por Fabiane M. Borges

Sonhadoras: Balbi, Dinah Cesare, Gabriela Carneiro da Cunha, Suely Farhi, Martha Niklaus, Geni Viegas, Maria Moreira, Lia do Rio.

Para conhecer o processo do curso – aqui:

Fotos:

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=bz0zCmAXUMs

Áudios: https://archive.org/download/vozessonhoscasasuelyfahri

DO CURSO

Davi Kopenawa em seu livro “A Queda do Céu” diz que os brancos (não índios, comprometidos com a modernidade, espírito colonizador) não sabem sonhar, pois só sonham consigo mesmos e com suas mercadorias. Nesse livro ele coloca os sonhos (corpo de fantasma) como uma reserva, como uma floresta, que nativa ou reflorestada ainda concentra uma enorme diversidade de existências, que ainda não foram destruídas inteiramente pela Xawara (a entidade maléfica do metal). Preservar as florestas e os sonhos é então uma ação de resistência contra a devastação da Terra e da ligação profunda entre humano e Terra, que é uma das potências do sonho, quando se sabe sonhar para além de si mesmo, ou seja, sonhar cosmicamente, terraqueamente, sonhar os sonhos do planeta em que vivemos.

Nessa nova idade da Terra – Antropoceno – , quando o biocontrole está em pleno vapor e os humanos se percebem como uma força geológica, plantar e sonhar (reconectar com a Terra) parece ser de uma importância cabal, que nos ajuda a pensar alternativas para esse rolo compressor do desenvolvimento a qualquer custo, e nos ajuda principalmente a reinventar nossos futuros sequestrados pelas promessas de futuro da modernidade. Sendo assim, esse curso é uma pequena pausa para construir ações anti-sequestro do futuro e do sonhar. É um curso experimental fundamentado em práticas e teorias de Arte (invenção) e Clínica (subjetividade).
O curso tem base teórica, prática e técnica e dependendo da organização da turma pode ser repetido e aprofundado.

Das Linguagens:

1- Da Arte de Sonhar: Anotar os sonhos (ainda com uma semana de antecedência do começo do curso), contar os sonhos, trocar de sonhos, processo de ficcionalização, desenvolvimento de escrita coletiva de caráter transnarrativo, desenvolvimento de personagens, ambientes, contextos. Interescrituras, produção cosmogônica, mítica, metafísica, ontologias diversas, tratados, escritas de associação livre baseados nos sonhos de si e dos outros.

2- Linguagens performativas: Uso de técnicas de corpo, improvisação de cena, construção de ações individuais e coletivas a partir de estudos trans-oníricos, construção experimental de linguagem expressiva, ritualização, gestualização, estados de presença, entre outros.

3- Ruidocracia: Uso de técnicas de linguagem sonora, produção de ruído (digital e analógico), vocalização, improvisação narrativa, construção de estados coletivos de escuta. O entendimento do ruido como ruptura da comunicação baseada na inteligibilidade: emissão-redundância-recepção.

4- Clínica: Esquizodrama, dinâmicas de grupo, técnicas de escuta, associação livre, problematização de questões levantadas pelo grupo, auto-conhecimento, o intelecto e o inconsciente coletivo, técnicas de concentração, produção imaginária, fabulação, aprofundamento de linguagens expressivas, relação com o futuro.

5- Communitas: Convivência coletiva, discussões, falação, rodas de conversa, tarefas práticas, comunicação intensiva, partilhamento de processos cotidianos (alimentação, lixo, etc), resolução de problemas, insights, ideias, construção de comunicação onírica, etc.

6- Da Arte de Plantar: Plantação de uma árvore (ou mais) em um espaço urbano próximo ao curso.

Do Material Teórico:

Serão trabalhados conceitos como hiperstição, aceleracionismo, pós-humanismo, transhumanismo, ciborguezia, filosoficção, filo-ficção, transnarrativa, interescritura, tecnomagia, metafísica da lata de lixo de Estamira, antropoceno, animismo, subjetividade da matéria, tecnologias do it yourself, multidões queer, imaginação e ficcionalização, astrofuturismo, tecnoprimitivismo de Oswald de Andrade, etc.

Bibliografia sugerida:

A Arte do Sonhar”, Carlos Castañeda
·“A Queda do Céu – Palavras de um Xamã Yanomami” – Davi Kopenawa e Bruce Albert
·“Antes o Mundo não existia” Mitologia dos antigos Desana-Kehíripõrã” – Umusi Pãrõkumu (Firmiano Arantes Lana) e Tõrãmú Kehíri (Luiz Gomes Lana). Ed. ed. — São João Batista do Rio Tiquié : UNIRT ; São Gabriel da Cachoeira : FOIRN, 1995. (Coleção Narradores Indígenas do Rio Negro).
·“Devires Totêmicos – Cosmopolíticas dos Sonhos” – Barbara Glowczewski
·“Comunidade dos Espectros – I. Antropotecnia” – Fabián Ludueña Romandini
·“Três Ecologias” – Félix Guattari – Ed. Papiros – 1990
·“Metafísicas Canibais” – Eduardo Viveiros de Castro – Ed. Cosac Naify – 2015
·“Há Mundo Por Vir?: Ensaio Sobre os Medos e os Fins” – Debora Danowski e Eduardo Viveiros de Castro – Ed. Instituto Sócio-Ambiental – 2015
·Tecnoxamanismo – Texto “Ancestrofuturismo” (online) Org. Fabiane M. Borges. Ed. Invisíveis Produções. São Paulo, 2016

R$300,0 pelo fim de semana incluindo o Almoço com cozinha compartilhada.

Suely Farhi – In}ventos
R. Tavares Bastos 21 casa 16 Catete
97845086 21479725

HIJACKED FUTURES VS. ANTI-HIJACK OF DREAMS IN THE SWISS ALPS

This course was given in the Swiss Alps with students of the Zurich University of the Arts Zürcher Hochschule der Künste. It was two days long, on top of the montain. All participants slept toguether in a montain hostel. It was very cold, with snow, and here is some archives of the process.

Fotos – https://www.flickr.com/photos/22405820@N08/albums/72157673706597872

Áudio – https://archive.org/details/hijacked-futures-vs-anti-hijack-of-dreams

Vídeo: