Laboratório de práticas rituais

 

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Fui convidada pelo Instituto Goethe a fazer um lab de práticas rituais e tecnoxamanismo, como resposta ao financiamento que eles deram para minha viagem para Berlim, por ocasião do transmediale. Foi super imersivo, intenso, foram dois dias  1 e 2 de abril de 2014. Fizemos algumas experiências como ruidocracia, processo imersivo, ritual para construir uma possível foto novela. aqui estão algumas fotos:

Para ver mais fotos, aqui:

https://plus.google.com/photos/108094216176169619701/albums/5997721290857330945?authkey=COSP5rqp7-OIGQ

 

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Oficina de Esquizoanálise – Erotismo, Humor e Abandono

Metodologia da Oficina de Esquizoanálise (Erotismo, Humor e Abandono), que demos  em Bogotá

no I Congresso Nacional de Mulheres Tecnologia e Cultura Livre –  http://fosschix.co/fosschix-colombia

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Para ver mais fotos, clique aqui no Picasaweb – https://picasaweb.google.com/108094216176169619701/Bogota1CongresoNacionalDeMujeresTecnologiaYCulturaLibre

                                                  Dá para baixar em PDF, daqui:  Bogota-esquizoanálise-fabi:juliana                                         

OFICINA DE ESQUIZOANÁLISE:

EROTISMO, HUMOR E ABANDONO

Uma metodologia compartilhada/ Dinâmica ativa

Por Fabiane Borges e Juliana Dorneles

(Tempo Ideal: 4 a 5 horas)

Dinâmica 1: RUIDOCRACIA DO ORGASMO

1- As oficineiras pedem que os participantes coloquem vendas nos olhos, fazendo-os andar pela sala, pedindo para que se toquem, e com a primeira letra do nome comecem fazer algum som; os sons espalhados pela sala vão sendo produzidos com cada vez mais envolvimento, até que se tornem ruidosos, amplos, grotescos e lentamente são direcionados para o “orgasmo fake coletivo”: exagerado, megalomaníaco, até que chegue no estágio pretendido que é o da ruidocracia, que é o lugar da dessubjetivação, da negação individual e do espaço do império do ruído, onde se chega nos estados de multidão, de fanastismo, de torcida de futebol, o espaço do êxtase catártico. Lentamente pede-se que os participantes se acalmem, escolham um lugar para descansar e retirem as vendas dos olhos.

(quebra gelo, liberador de energia erótica, processo dessubjetivador, o que importa é o ruído sonoro construído coletivamente, não o indivíduo).

Dinâmica 2: HUMOR E ADORAÇÃO

2- De uma a uma as pessoas são convidadas a ir para o meio do círculo onde tem uma pequena caixa que a pessoa sobe e fica levemente acima das outras, ela veste um manto e pôe uma máscara. A função dos participantes é a adoração exagerada do outro, exaltando seus valores, seus atributos, sua beleza, suas características mais singulares. A pessoa deve sentir-se Deus, Deusa, Rainha, Rei, Majestosa, toda a atenção é voltada a ela e ninguém nesse momento é mais importante que ela. O importante aqui é a idolatria desmedida, a vontade de se submeter a superioridade do outro, de não ter importância individual nenhuma, de dar tudo de bom que tem em si para o outro.

(dessubjetivação, entrega, experiência de inferioridade, enquanto a pessoa exaltada se empodera, aumenta sua auto-estima, sente sua própria superioridade, aprende a receber sem dar nada em troca)

Dinâmica 3: ABANDONO E DESTRUIÇÃO

3- As oficineiras levam um objeto (3 a 4 hardwares velhos) tapado com um pano para o meio da sala e vão conduzindo as pessoas lentamente para a destruição do aparelho com pedaços de pau. Ao quebrar os hardwares as pessoas expressam sua raiva, seu medo, seus ressentimentos por terem sido abandonadas, ou por terem que abandonar. Os discursos são inflamados, fortes, grita-se palavras duras, grita-se não, diz-se o que precisa ser dito, de acordo com a vontade de cada um. Isso requer a vontade de dizer não para algo que não se quer mais, para uma realidade insuportável, que se rejeita e é preciso sair disso.

(Aprender a abandonar para respirar, para não sufocar, para sair de uma situação indesejável, para ficar livre do tormento, para ter mais coragem e para liberar energias destrutivas que atrofiam cérebro e músculos)

Dinâmica 4: ELABORAÇÃO E FANTASIA

Uma mala é colocada no meio da sala e os participantes são convidados a se dividirem em grupos pequenos para encenar os processos que passaram durante a oficina. Combinam alguns minutos sua atuação e mostram para o restante dos participantes as imagens que o processo lhes despertou.

(Forma de elaboração lúdica, fantasiosa, psicodramatizada da experiência vivida na oficina, modo de criar relações para além das identitárias, construção coletiva de poéticas perfomáticas)

Textos da Caixa Tecnoxamânica/Bunker/Abrigo/Catexia/Caixa do fim do mundo

Apocalipse da Caixa Preta

Texto de Fabiane Borges, com participação de Glerm Soares e Lucida Sans

Construímos a performance “Apocalipse da Caixa Preta” na Bicicletaria Cultural e Jardim dos Volts1 em Curitiba (31/08/2012). Fizemos a caixa pensando na casa de um morador de rua, chamamos um pichador (Cupim) que trabalha na Bicicletaria para nos dar uma mini-oficina de pichação, ele nos ajudou a criar estilos gráficos e ainda, interpretar palavras e símbolos utilizados pelos pichadores. A pichação trazia à tona a linguagem de rua. A caixa continha textos do livro Domínios do Demasiado, do Tecnomagia e do Yupana Kernel, que tratam de estados de miséria, das zonas de risco, dos satélites, de tecnologia e magia2.

Para ler o texto completo  em PDF clique aqui: caixa tecnoxamânica

Imagens da nossa ação da Caixa Tecnoxamânica/Bunker/Fim do mundo feita em Curitiba 01/09/2012 –

Aqui dá para ver algumas fotos – Se quer Ver mais Fotos click aqui: https://picasaweb.google.com/108094216176169619701/CaixaTecnoxamanica

Aqui o Vídeo da Performance da Caixa Preta –  Video de Fernando Ribeiro –

Aqui os áudios de textos que entraram na caixa – feitos por Simone Bitencourt  http://soundcloud.com/tecnocaixamanica

Textos utilizados dentro da caixa preta – da caixa tecnoxamânica, feita junto com o Jardim de Volts (http://jardins.devolts.org/) na Bicicletaria Cultural – (http://bicicletariacultural.wordpress.com/)      ******  caixa-textos ******

TECNOXAMANISMO – UMA METODOLOGIA COMPARTILHADA – Por Camila Mello e Fabiane Borges

Uns consideram o termo fruto de um profundo exotismo, outros criticam o termo acusando-o de apropriação indevida das culturas tradicionais. Outros questionam a falta de “poder espiritual” de tais procedimentos, mas outros, os que nos interessam, vêem na conexão entre as duas formas de conhecimento indícios de uma nova ética, uma ética ecológica, ou ainda uma ética transformadora que conceba a tecnologia não como um projeto evolucionário mas como um organismo vivo, interdependente do seu meio e, assim como o próprio planeta Terra, capaz de auto-regulação.

É uma tentativa de juntar duas formas de conhecimentos que são constantemente separadas. A bruxa e o cientista. O curandeiro e o médico. A feiticeira e o robô. A convergência entre técnica e xamanismo é um investimento de reparação de erros antigos de má distribuição de saberes e julgamentos deterministas precipitados a respeito das formas de conhecimento. O tecnoxamanismo apela ao animismo, às religiões da natureza, as visões de mundo mais tradicionais, ou ainda ancestrais, a fim de trazer à tona suas sincronicidades, fazê-las interpenetrarem-se. Por outro lado investe em um futuro mais equilibrado, onde o projeto de super desenvolvimento das máquinas não acabe por criar uma fissura irremediável entre humanos e máquinas, fabricando assim robos escravizados, hackeados em toda sua expressão, dessubjetivados. O uso do nome então pode ser visto como um ativismo da matéria, um investimento na subjetividade da matéria, no atravessamento de diferentes naturezas comunicantes entre si, tirando o foco das fronteiras entre orgânico e inorgânico. Também pode ser pensado como uma forma bem humorada de lidar com catástrofes iminentes, ou ainda, como uma utopia contemporânea. De qualquer modo, a idéia da fusão desses conhecimentos vem da vontade de fortalecer seus atributos mais vigorosos: a performance técnica do xamã e a magia da máquina. Ainda não sabemos que detalhes éticos se constituem nessa transfusão, nosso deleite é investigar processos.

Para ler mais clique nesse pdf-

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