Entrevista revista Continente

Por Priscilla Campos para Fabiane M. Borges

Para ler a entrevista na íntegra, aqui: entrevista-revista-continente

3) Quais são as definições do pornoterrorismo?

Eu, Carola Gonzáles e Ana Girardello estamos traduzindo o livro de Diana Torres (Pornoterrorismo) para o português, que pretendemos lançar ainda em 2015. As principais linguagens são: escrita, performance, vídeo e intervenção (urbana, pública, em encontros). Os conteúdos ou definições são complexos, mas existe a ideia do desvio do terrorismo político para a sexualidade, apontando ao mesmo tempo uma crítica contra a fabricação de terroristas por parte dos Estados e meios midiáticos, e também uma provocação a sociedade em geral, ao produzir uma sexualidade feminista ativa, agressiva, que relaciona o erotismo com os estados de guerra e de violação com o qual convivemos, para criar tensão e pensamento.

Afora a questão do terrorismo, existe uma busca pela inversão do projeto de mulher produzido pelos homens historicamente, então essas aparições agressivas surpreendem as pessoas, pelo excesso de honestidade e também de diversidade. Um dos trabalhos que mais gosto é quando o pornoterrorismo juntou dezenas de mulheres para se masturbar em praça pública em Barcelona, dizendo que as mulheres deveriam se masturbar do modo como elas faziam sozinhas, e só pararem quando gozassem. Esse ataque estético parece inocente, se não fosse um legítimo terrorismo, já que não se espera que as mulheres se masturbem de modos tão diferentes dos que os propagados pela cena pornográfica heteronormativa. Tem também a questão da vingança histórica, a vingança contra os gozos trancados de suas avós, as que eram subjugadas a uma sexualidade de machos, de modo que conclamam o nome de suas antepassadas e se masturbam ou transam publicamente oferecendo o gozo como uma oferenda. É um sacrifício tudo isso, e uma glória. É uma sexualidade publicizada, na linha da pornografia, mas que trata o gozo de modo feminista, mostrando abertamente erotismos, fetiches, desejos sexuais que não estão protocoladas no cardápio da cena erótica habitual. O lesbianismo, o amor entre mulheres é uma questão preponderante no caso do que conheci na Espanha, que mistura o cuidado e a delicadeza com cenas muito fortes ligadas a perfurações, múltiplas penetrações, bondage, travestimento. Em meio a essa cena lésbica decisiva também tem a produção de grupos heterosexuais, transexuais, trangêneros, queers em geral.

Gosto muito do aspecto colaborativo entre essa rede, os eventos, os encontros, as sex parties. Na verdade isso tudo faz parte de um processo, já que são muitos anos de militância e o movimento foi mudando de cara ao longo de todos esses anos. Hoje em dia as participantes do evento pós pornográfico já atuam em outros espaços da sociedade, seja na arte, na academia, no mercado, elas deixaram um legado potente em literatura, vídeo, mídias para as novas gerações. Algumas delas continuam trabalhando com feminismo, sexualidade de forma muito intensa ainda como o coletivo Post-op que atua com pós pornografia com pessoas com deficiências físicas ou mentais, fazendo projetos de desenvolvimento sexual com elas. Diana Torres que acabou de lançar seu novo livro “Coño Potens” e continua com a mostra marrana (mostra de cinema pós pornográfico), Quimera Rosa que está atuando com body noise e relação transespécie, Maria Llopis que está na campanha e publicação do livro “Maternidade Subversiva”, entre outras não citadas aqui, ou seja, muitas delas continuam super potentes e produzindo materiais relacionados ao pós porno. Beatriz Preciado (agora Paul Beatriz Preciado), é uma grande teórica desse movimento, que inspira muita gente a se aventurar nas delícias da pós pornografia. Ela as vezes tem problemas com ativistas por ser acadêmica, mas ao meu ver é uma das melhores acadêmicas que existem, pois sua vida e seu pensamento se sustentam com sua própria experiência, trazendo à tona vivências pessoais para pensar a sexualidade contemporânea, o que é pouco comum no meio acadêmico. O cricricri dos descontentes é inevitável.

Costureiras de Fantasias – A Pena Azul

Toda pós pornografia não dizia o suficiente do composto orgânico que existia depois da imagem das ancas largas, das ervas e temperos que saiam pelos cabelos, pelas pontas dos dedos, pelos pubianos quando o botão era acionado com tato. Mas essa inversão era perspectivismo, o clitóris ser o centro do mundo, a tal inversão ontológica. Papo reto com Sr. Colombo: a América já era bem povoada antes do Sr. Colombo dedilhar os pequenos lábios de sua vulgívaga, por índias que sim conheciam o clitóris, assim como conheciam botãozinhos de fios nervosos bem menores e excessivos por todo o corpo. A pena azul de ganso falso atiçando delicadamente a conjunção de fios nervosos. Que perda!

costureiras de fantasias

Sobre Zona de Poesia Árida

fabi e elida

“Essa mostra Zona de Poesia Árida, tal qual a Poéticas do Dissenso não parece ser a coisa mais tranquila do mundo. Trazer a arte política, ou a intervenção urbana pra dentro do contexto do museu, principalmente sendo ele o MAR, que tem um histórico de gentrificação e de remoção de pessoas durante sua construção, sempre provocou muitos questionamentos. Eu queria falar um pouco dessas críticas que fazem a nós, para podermos pensá-las, sem ignorá-las, muito menos nos defender delas, mas como tentativa de aprofundar esses questionamentos, essas críticas, pensar em nossa decisão, que implicações isso tem, qual o teor da nossa aposta”.

Texto de Fabiane Borges e Élida Lima – Aqui:  sobre Zona de Poesia Árida

Divagações sem pretensões – 16 pontos para pensar a arte, a mendicância e a ruidocracia

Qual poder existe sem risco? Nessa caminhada ao sucesso e reconhecimento suas antigas urgências vão dando lugar a uma sensação de que habita um lugar ainda arriscado, mas sua urgência já não é pela vida em si mesma, nem pelo mundo, é por si mesmo. Vira uma marca, um logo, precisa fazer esse logo dominar o mundo, ou a queda iminente se apresentará com suas
garras de abismo. Ele urge, de um outro jeito, ainda reconhece possuir a pressa, o desespero, a vontade de poder e de mudança, mas precisa fazer tudo isso caber dentro do seu deadline.

Divagações sem pretensões – 16 pontos para pensar a arte, a mendicância e a ruidocracia

Pharmakon – Technoshamanism on the Rubishland

Fui convidada pela Veridiana Zurita a participar em um projeto chamado Pharmakon. Cada artista residente tinha que convidar um artista do seu gosto, ela me convidou para substituir Peter Pál Pelbárt que era sua primeira opção.

Os Ghosts estão as soltas, e como não poderia ser diferente, em Bruxelas também. O nome do encontro se relacionou com a questão do remédio e do veneno (Pharmakón), sobre as doses que torna um em outro.

THEMATICS PHARMAKON : WHITCH CULTURE ? BRUSSELS, 13 /10 -13 /12/14

Pharmakon : whitch culture ?

 

‘Pharmakon: whitch culture?’, is a Thematics artistic research residency project, taking place in Brussels from the 15th of October until the 15th of December 2014. This residency is one of the stages in the development of the broader, transnational ‘Pharmakon’ research project undertaken by Institut Nomade. The ‘Pharmakon: whitch culture?’ conference will last three days and will explore the theoretical and artistic approaches to dealing with an increasingly toxic economic, ethical and cultural environment, in search of other techniques by which to connect, share and imagine the fabric of our togetherness. As a ‘performative conference’, this meeting involves artists as well as theorists, dissolves the boundaries between ‘specialists’ and ‘public’, and between ‘performers’ and ‘theorists’, and opens up a space for desire and reflection.

Thematics is organized by Bains Connective, in collaboration with Institut Nomade, the a.pass research center and Kaaitheater.

TECNOXAMANISMO EM AARHUS – Dinamarca

Autodetermination, liberty and sustainability in the anthropocene

http://www.modspil.dk/test/open_call__technoshamanism_encounter_in_aarhus.html

It was a very nice meeting, with permaculture, discussions, rituals in the open space Aarhus. Here you can see some links of photos and records of the event.
[Images of the event https://www.flickr.com/photos/22405820@N08/sets/72157649435839485/ -]

[Sound Record of the event first day – https://archive.org/details/TechnoshamanismInAarhus]

Sound Record of the event second day – https://archive.org/details/TecnoshamanismMeetingAarhusDinamarc-SecondDayt

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ACTAMEDIA – LUSOTOPIA NA MEDIAPÓLIS

Fui convidada por Artur Matuck para participar do encontro ACTAMEDIA, em Portugal e cá estamos.

Foi super interessante conhecer as pessoas que fazem parte desse circuito. Teve muita discussão sobre arte, Espaço, internet, robos, máquinas, engenharia, arquitetura, autoria, virtualidade, intervisualidade e eu trouxe o tema do tecnoxamanismo.

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ActaMedia XI

Simpósio Internacional de Artemídia e Cultura Digital

Lusotopia na MediaPolis: Linguagens e Tecnologias

Lisboa, Coimbra, São Paulo

Evento binacional: Portugal e Brasil

Palácio Foz – Lisboa, Portugal – 13 e 14 de novembro de 2014

Universidade de Coimbra – 18 e 19 de novembro de 2014

Centro Cultural São Paulo – São Paulo, Brasil – 3 e 4 de dezembro de 2014

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O tema do Acta Media 11 – Lusotopia na MediaPolis: Linguagens e Tecnologias – aborda a ação e o impacto das mídias digitais na sociedade lusófona atual. Pesquisadores, acadêmicos e artistas de diversos países de língua portuguesa estarão se reunindo, presencial e virtualmente, para elaborar o futuro utópico da lusofonia, apresentar e debater trabalhos tecno-científicos, a partir do conceito de MediaPolis – essa cidade de silício que existe através das mídias digitais.

O simpósio busca, por meio de diferentes registros impressivos  e expressivos em língua portuguesa, um traço comum a vincular cidadãos e agentes de um novo território virtual da comunidade lusófona.

Perguntamo-nos de que modo a revolução tecnológica digital se dissemina e transforma a luso-esfera.Indagamos como a comunidade lusófona pode tornar-se um veículo de pensamento para o digital.

Os desdobramentos dessa temática relacionam as Comunidades Virtuais e as Mídias Digitais a diversas disciplinas, especialmente Linguística,  Literatura, Filosofia, Arte/Estética, Ciências Políticas, Antropologia, Comunicação e Geografia, dentre outras co-relacionadas.

PROGRAMAÇÃO

Colabor

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