SEMINAL THOUGHTS FOR A POSSIBLE TECNOSHAMANISM by fabi borges

This is equivalent to saying that technoshamanism apart from arising directly from a transversal shamanism is also dirty and noiseocratic. It belongs in the garbage dump, is unclean. A significant part of what technoshamanism affirms originates in the leftovers of scientific thinking, from precarious laboratories, uncertain knowledge, hacking, electronic garbage, workarounds, cats, originates from the recycling of materials, from the duplication of already thoroughly tested scientific results. To this we may add particular questions from social movements related to feminism, to the movements of queers, of blacks, for free software, of the landless, of indigenous people, of river communities, of homeless people and the unemployed among countless others who also perceive through their own noises, their own dissidency, their own garbage.

To all this I want to add the exploration of the relationship between the body and technology, interspecies communication with material objects, elements and plants, as well as interception of electromagnetic waves from the most remote spaces, from the north and the south poles, from the buildings destroyed by war, from those that survived, who tell passive stories that can be recorded by DIY instruments. Not to mention the issues of the environment, space, extraterrestrial space, space culture, fiction, our relationship with the cosmos, astronomy and astrology using mechatronic devices and signage. http://www.modspil.dk/docs/technoshamanism_fabi_borges.pdf

 

pdf do texto, aqui technoshamanism_fabi_borges

Prolegômenos para um possível tecnoxamanismo

(Fiz esse texto para a palestra no Transmediale em Berlim – 02/02/2014). Para ler inteiro acesse aqui: prolegômenos para um possível tecnoxamanismo

PROLEGÔMENOS PARA UM POSSÍVEL TECNOXAMANISMO

Muita gente tem ideia do que tecnoxamanismo significa. Essas ideias são genéricas e apontam para alguma coisa entre ciência e religião, ou tecnologia e êxtase. Eu prefiro apresentar isso como uma questão em processo de construção. Um desafio ao qual todos estamos lançados hoje em dia, e para o qual precisamos encontrar possibilidades.

Esse texto abarca um pequeno número de conceitos ecológicos, antropológicos e filosóficos, que vou tentar elencar de forma clara, apesar disso tudo estar imerso em um nevoeiro. Trago como referência pensadores como Viveiros de Castro, Bruno Latour, Fabián Ludueña, entre outros. É importante salientar que o conceito é aberto, que tem muita gente pensando isso em vários outros sentidos, e que esse texto é somente um esforço de trazer alguns subsídios para colaborar nesse grande entrave entre duas forças aparentemente antagônicas.

Separo o texto em 6 partes:

1- Tragédia Guarani Kaiowa

2- Aldeia Maracanã

3- Terráqueos Contra Humanos

4- Xawara e a queda do Céu

5- Perspectivismo e Inversão Ontológica

6- Do Xamanismo Transversal, Sujo ou dos Ruídos

7- Tecnoxamanismo

 

FESTIVAL DE TECNOXAMANISMO

 

AQUI O LINK: http://tecnoxamanismo.metareciclagem.org

Do dia 23 ao dia 30 de abril de 2014 acontece o Festival de Tecnoxamanismo em Arraial d’Ajuda.

A ideia de fazer o Festival de Tecnoxamanismo parte da necessidade de se criar respostas para o nosso tempo, regido pelo período antropoceno, nome que se dá para a atual idade da Terra, onde a tecnologia, industrialização e meios de produção dos humanos acabaram por transformar a superfície da Terra em um espelho de si mesmo, tendo como consequência o fim das florestas, o extermínio constante dos modos de existência indígena, a deterioração dos rios e dos oceanos, o declínio da biodiversidade e nossa infelicidade geral. Se faz necessário criar novos formatos de desenvolvimento a partir de uma nova ontologia, onde a Terra seja vista como agente político e os fazeres humanos convirjam com os desejos de GAIA.
Algumas perguntas:

Quais táticas possíveis podemos produzir para promover uma melhor negociação entre tecnologia e natureza? Como lidar com os conhecimentos ancestrais? Quais relações podemos estabelecer com as aldeias? Que rituais nos ajudam a ampliar nossa percepção sobre a inteligencia e a sensibilidade da natureza? O que o xamanismo tem a nos ensinar? Como aproximar a tecnologia e o xamanismo?

Nesse festival acolheremos propostas que ajudem a construir novas respostas para a atual crise ambiental e a decadência do humano. Atuaremos no sentido de criar e manter coletivamente uma rede de colaboração entre projetos, nacionais e internacionais, que atuem no sentido da transformação de práticas e pensamentos, modos de vida e condição humana.
Propostas que interessam ao Festival:’

Entra nesse processo projetos voltados a ética, estética, tecnologia, cosmogonia, novas fabulações, desenvolvimento humano, modos indígenas, visão xamânica, práticas experimentais, técnicas ritualísticas, processos permaculturais, medicinais, tecnologias de acesso a outras formas de vida, inter-relação entre humano e matéria, humano e natureza, experimentos sonoros, visuais, artísticos, oficinas, workshops, discussões, debates, construções conceituais, protótipos eletrônicos, ações de hacklab e midialab, rádio livre, processos involucionários, projetos de futuro, entre outros.

 

Duas viagens durante meu período em Berlim

Durante o tempo que fiquei em Berlim, fiz duas viagens de pesquisa espacial – Ambas foram importantes,  porque faziam parte da minha tese de doutorado, mas que só fui conhecer presencialmente nessa viagem.

1- A primeira para Peenemunde:

Aqui o vídeo: 

2 – A segunda para Copenhagen na Dinamarca, para conhecer o suborbitalls

Aqui uma foto (o vídeo ainda estou fazendo)

no suborbitalls

 

Sobre o Hackday e o Transmediale – Berlim – jan e feb/2014

Nos primeiros dias levei um susto com  o caráter pró ativo dos artistas-hackers, eletrônicos, trabalhando em grande parte de graça pra levantar uma exposição grandiosa como a do transmediale. Não entendi nada. Uma correria, nada colaborativo, e com o organizador que cuidava das coisas todo afetado, rapidinho, sem tempo, guardando poder, não disponibilizando o material,.

Achei um ambiente frio, gélido, onde os participantes ao invés de serem bem tratados eram tidos como operários.  E eram.  Cada um tinha um tempo mínimo para mostrar o seu trabalho e dizer a que vieram. O que me surpreendeu é que pensei que seria um ambiente colaborativo, que a exposição ia fazer parte do processo, que as pessoas iriam interagir entre projetos, que seria um ambiente de criação, mas era só um ambiente de exibição de habilidades, sem nenhum espaço para a troca de conhecimentos, ou aprofundamento de linguagens.

Esse vídeo mostra bem o modo como eu estava me sentindo: confusa e sem saber direito do que se tratava tudo aquilo, para mim não fazia sentido algum : https://vimeo.com/85422400

A gente fez quase tudo errado, um pouco pela dificuldade da língua, outro porque nosso trabalho não dialogava com o espaço, mas em grande medida porque não conseguiram a caixa de papelão que nós pedimos com quase um mês de antecedência, porque queríamos fazer uma espécie de vôos espaciais na caixa. Enfim.  De modo que passamos os dois dias que todo mundo trabalhava feito doidos nos seus projetos praticamente trazidos prontos de casa, tentando readaptar nossa situação,  e acabamos no dia da exposição, conseguindo fazer um cubo preto com uma televisão dentro.

Chamamos o Cubo Preto  de Caixa de Xawara, porque ela representou o lugar que absorvia a fumaça invisível daquele evento, que era o lugar que representava a doença daquele evento. Na Caixa de Xawara aconteceram duas performances…

A performance da xname ( http://xname.cc/):

https://vimeo.com/85422655

A performance da Pechblenda  ( http://pechblenda.hotglue.me/)

http://www.youtube.com/watch?v=NkhnoVcA0PQ

Afora isso, ficava passando um vídeo com imagens da Terra, da multidão do Lucas, de um vídeo da Serra Pelada que eu fiz, para identificar a questão da Xawara, e um vídeo que o Bambozzi fez do Felipe Ribeiro extraindo o som dos ferros  e da armação metálica da arquitetura da expo.

———–

Enquanto passava essa fase crítica do Hackday, com alguns transtornos de comunicação e com os afetos um pouco exaltados, o Transmediale,  já estava acontecendo, com milhares de pessoas, dezenas de palestras, apresentações, debates, vídeos, filmes, projetos interativos. O tema Afterglow sendo discutido das mais diversas formas.

Nós também tínhamos uma palestra para dar, chamada: Micropolitics of the post digital from street protests to transitional spaces in Brazil, onde Lucas Bambozzi, Marcus Bastos, Adriano Belisiário, Fabiane Borges (eu) falamos cada um sob um ponto de vista sobre nosso trabalho e as questões políticas atuais do Brasil. Karla Brunet comentou as palestras, e Oliver Lerone Schultz foi o mediador.

http://www.transmediale.de/content/micropolitics-of-the-post-digital-from-street-protests-to-transitional-spaces-in-brazil

Aqui tem umas imagens da gente dando a palestra: http://lerone.smugmug.com/IProject/Post-Media-Lab/Micropolitics-in-Brazil-140202/n-3d75C/i-m8CS9wC - o vídeo das palestras  ainda não estão online.

A mesa foi bem aceita, mas sempre na correria, não dando tempo para as perguntas e comentários do público.

Demoro a entender a eficiência desse tipo de eventos grandes, que não se tem tempo para uma troca real com as pessoas, e que mal dá tempo de conhecer os companheiros. Com tanto público, parece ser algo de mostrar a tendência em arte e tecnologia, mas que não tem compromisso com os processos de criação, que dentro da cultura dos hacklabs são a coisa mais importante. Isso sugeriu uma série de pensamentos, discussões e questões entre nosso grupo, mas que vou escrever num outro momento, de outra forma.

Agradecimento a Polo Rafael que nos ajudou no processo e na crise, e Felipe Ribeiro, que além de compor uma ópera do metal, colaborou com o grupo durante todo período do hackday. Aqui: https://soundcloud.com/itinensanzen/trashuremountain

Primeiros dias em Berlim – Primeiras Impressões

Nunca tinha vindo a Berlim. Todo mundo fala a anos de Berlim pra mim, e só agora rolou a oportunidade de ver a cidade da arte em todo o esplendor da sua neve, por causa do convite feito pelo Transmediale – evento de arte e tecnologia que ocorre a muitos anos em Berlim – (http://www.transmediale.de/). Está frio lá fora e dentro de casa é tão quentinho, que dá vontade de ficar trabalhando ao invés de curtir tudo que a cidade oferece. Talvez essa pequena frase resolva uma série de questões de diferenças culturais. No frio é necessário pensar mais no que fazer, trazer mais coisas para perto, fazer as compras com precaução, não deixar faltar nada. O contrário da preguiça do calor em vários pontos, já que é preciso manter uma certa ordem pra não morrer de frio. O frio explica muita diferença entre povos e modos de construir civilização e civilidade. Mas não quero fazer grandes análises no momento, só fazer pequenos relatos de viagem, do que eu tenho feito nesses primeiros dias aqui.

Para continuar lendo, aqui:

primeiros dias em Berlim

Conversando com as Plantas

paola

(Paola Barreto mostrando seu pet novo pra mim)

Será que pode ser assim?  Habitual, cotidiano, tranquilo…   Com baixa tecnologia, sentar no jardim e fazer roda de conversa entre humanos e plantas?  Ontem foi assim, bem diferente de uma sessão de arte, de arte contemporânea, de arte eletrônica!! Não foi nada disso. Foi no jardim de casa, tomando cerveja, fumando cigarros, tocando as plantas do jardim e ouvindo o ruído delas, suas nuances, expressões. A gente quase entendia o elas falavam.

Há quem faça comunicação direta com plantas e outros elementos, mas para os menos sensíveis, é preciso ainda alguns aparatos técnicos. No nosso caso rolou um arduíno + plantronic + patch de pure data, no mais, caixas de som pra ficar ouvindo as frequências sonoras, além de algumas sensualidades. Quando Débora por exemplo, começou a lamber a planta, ela ficou muito mais atiçada do que quando a Lívia só a beijava, sim, acaba rolando uma epifania leve. Plantas e humanos in love <3.

O que mais gostei, foi que não foi um ambiente laboratorial nem artístico, foi como uma conversa de comadres no jardim de casa, como minha avó fazia com suas vizinhas todo entardecer, tomar chá com bolachinha e esperar a noite. Essa cotidianidade além de me encher de ternura, me deu um certo otimismo, de que em breve será possível atravessar esses limites e conversar com outras formas de vida, aparentemente tão distantes da nossa linguagem cultural. É pra isso que queremos tecnologia, eu acho…

Pra quem quiser fazer em casa, esse blog do guimasan tá bem legal!!  http://rede.metareciclagem.org/blogs/guimasan

Aqui também tem uns experimentos da Leslie Garcia em parceria com o cineplanta da Paola Barreto - http://lessnullvoid.cc/content/2012/10/cineplanta-pulsumplantae-plantalle-en-hip3rorganicos/#more-’

Tem o site do Guto Nóbrega - http://cargocollective.com/gutonobrega/Breathing

Também o do Ivan henriques - http://ivanhenriques.com/works/jurema-action-plant/

Bom, e não é de se estranhar que até Ana Maria Braga tem uma dessas plantinhas e esse link mostra o que a Del Valle tem feito com essa tecnologia. http://d3.do/?p=2485#more-2485

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2014-01-08-202845

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