INAPTA

Para ler o texto na íntegra – aqui: Inapta

Eu queria arte contemporânea, nome que espocava na minha boca como uma afta, uma cárie, o lugar onde minha língua se lambuzava, colocar a língua lá e dizer arte contemporânea, arte contemporânea. Não sei bem que momento essa herpes se grudou no meu lábio, deve ter sido naquele projeto do museu sem maré, que o rapaz de barba que parecia um mouro falava de potências, de obra-ação, de dispositivo, de cena expandida, de palavras que fizeram todo o sentido pra mim e que por fim, me tornaram artista. Fui arrebatada por aquela eloquência de mártir da arte, daquele D. Quixote convertido que falava em libertação das grades de ferro que cercam os museus. Talvez tenha sido ali que brotou dentro da minha boca essa cena contemporânea, e que por fim me levou a ter um filho com um artista fodido, que também falava em arte contemporânea, mas sem tanta exaltação quanto falava o mouro. Eu queria um filho mouro, mas fui ter um filho branquelo, com um artista sequelado, que agora sei, sabe falar em arte quando está na quarta dose de cachaça, e aí sim, brota um utopista.

Sue Nhamandu fazendo leitura dramática de um texto de fabi borges

ESGOTO DA TUA DIPLOMACIA –  Texto escrito para a coluna Fêmea do jornal/revista Outras Palavras

http://outraspalavras.net/posts/femea-esgoto-da-tua-diplomacia/

N. Tenho umas coisas para te dizer. Há muito tempo quero desabafar. Eu estava farta de pensar em toda essa conversa, essa geleia, essa saúde, essa inteligência. Queria achar saída, como quem escapa e volta, mas não tinha muita saída diante desse muro onipotente e admirável. Precisei contar histórias no teu ouvido pra inverter o jogo, para te fazer gozar, para te produzir algum outro sentimento que não fosse essa auto-estima elevada, esse olhar sobre as ociosidades, esse olhar preconceituoso sobre tudo aquilo que prefere não se mexer, não fazer nada. Eu estava tentando ser menos alcoólatra, mais aceita, menos barulhenta, mas parecia coisa demais pra se fazer a qualquer hora.

presente do paulinho wayne de aniversário gif

CURSO DE ESQUIZOANÁLISE NA CASA NUVEM

consultorio-esquizoanalise

Curso teórico e experimental dividido em 5 módulos (de Agosto à dezembro de 2015 – Casa Nuvem – Rua Morais e Vale 18 – Beco do Rato – Lapa, 20021260 Rio de Janeiro). Valor de cada módulo: 50,00 – Inscrição gratuita catadores@gmail.com

Um sábado por mês: 29/08, 26/09, 17/10, 14/11, 05/12 – das 17 às 21 hs

A Esquizoanálise começou com as práticas estimuladas por Félix Guattari nos anos sessenta que foram conceitualizadas no Anti-Édipo de Deleuze e Guattari em 1972. A ideia é retirar o foco da subjetividade de um centro instituído e pensar o inconscience menos como um palco de representações do que como uma usina conectada a uma grande rede de produções. Desde então muitos acoplamentos e experimentações foram introduzidas no repertório esquizoanalítico. Este curso pretende oferecer um panorama dos caminhos da esquizoanálise nos dias atuais visto através da perspectiva intelectual e das práticas clínicas da proponente deste curso.

Com base no cenário filosófico e político de onde emergiu a esquizoanálise, a proposta é a de um percurso que acompanha os conceitos e as práticas esquizoanalíticas desde a sua incepção. Neste contexto aparecerão delírios públicos e privados, bruxarias, alquimias e xamanismos arcaicos, distantes e contemporâneos na forma de textos incorporativos e rituais em grupo. Com isso, a metodologia clínica se torna múltipla e aberta a contribuições de diversas partes.

Em uma época de farmacopornografia (Preciado, 2008) onde os delírios e agenciamentos são mediados por principios ativos que intervem no desejo e na adaptação das pessoas ao espectro do super controle, trataremos de problematizar algumas psicopatologias conhecidas do público como a megalomania, a paranóia, a ansiedade e a esquizofrenia, que serão vistas sob o enfoque de personagens históricos e ficcionais, além de experiências pessoais.

Estaremos pensando/promovendo a performance ritual, conversando com a metafísica contemporânea, perpassando a questão do animismo, da metafísica canibal, da subjetividade da matéria, exemplificada em cosmogonias e cosmologias indígenas e aborígenes assim como práticas laboratoriais.

É um curso para quem quer começar e/ou aprofundar seus conhecimentos em esquizoanálise, e também deseja ampliar seu arsenal metodológico para práticas de grupo, que podem ser aplicadas em diversas áreas como facilitações, consultorias, dinâmicas coletivas, projetos de pesquisa, análise institucional, fabulações, processos criativos, auto-conhecimento, etc.

No decorrer do curso, outros módulos podem ser criados conforme interesses e agendas. Alguns módulos contarão com a presença de convidados específicos de acordo com o tema a ser abordado.

Terá certificado de participação para quem fizer os cinco módulos.

29/08 – 17 às 21hs

Módulo 1- A esquizoanálise antropofagizada

Temas:

*Antropofagia de Oswald de Andrade aplicada a esquizoanálise;

*A Queda do Céu de Davi Kopenawa e o campo de imanência

*Antes o Mundo não existia da cosmogonia dessana (indígenas Brasil)

*Visões sobre sonhos em Castañeda e cosmopolítica dos sonhos dos aborígenes de Barbara Glowczewski

*Caosmose – Félix Guattari

*Esquizoanálise e Antropofagia de Suely Rolnik

*Três Ecologias – Félix Guattari

*Introdução a esquizoanálise – Anti-Édipo

26/09 – 17 às 21hs

Módulo 2- Esquizoanálise e tecnoxamanismo

Temas:

*Metafísica canibal de Eduardo Viveiros de Castro

*Hiperstição – Nick Land

*Tratado da magia de Giordano Bruno

*Cosmogonia livre

*Xamanismo ancestrofuturista

* Tecnomagia

*Metafísica da lata de lixo de Estamira

*Antropoceno e antropocena – O imaginário que está em cena

*Animismo – a subjetividade da matéria

*Mil Platôs – Deleuze & Guattari

*Comunidade dos Espectros – Fabián Ludueña Romandini

17/10 – 17 às 21hs

Módulo 3- Esquizoanálise e performance-ritual – ficção e ruidocracia

Temas:

*Esquizocenia (Peter Pál Pelbárt)

Esquizodrama – metodologias (Gregório Baremblit)

*Performance – história, contextualização (Renato Cohen)

*Renato Cohen – análise de texto e produções

*Ruído, ruidocracia, projeto de escuta. Como e o que se escuta – metodologias de escuta

*Ritual – incorporação, arrebatamento, extase, meditação, rito de passagem, ritual como linguagem

*Performance e ritual (abordagem do peformance studies NY)

*Levantamento de algumas práticas rituais (liturgias) religiosas

*Ampliação imaginária para construção ficcional (de presente e futuro)

14/11 – 17 às 21hs

Módulo 4- Da Lembrança aos Sonhos na ficção científica

Temas:

*Algumas visões de futuro produzidas no cinema de ficção científica do século XX

*Imaginário humano sobre os extraterrestres – antena, escuta, luz, visão

*Paranóia e Megalomania nas utopias/distopias espaciais

*Projetos de colonização humana em outros planetas – biosferas artificiais e naves espaciais

*Os satélites e a memória humana

*Era do super controle

*Relatos de avistamento, abdução e fim do mundo

*Imagem Movimento e Imagem Tempo – Gilles Deleuze

05/12 – 17 às 21hs

Módulo 5 – Megalomania, esquizofrenia e o fim do humano

Temas:

*Anti-Édipo – Deleuze & Guattari

* Napoleão e os donos do mundo

*A solidão de Zaratustra

*Os sete tempos da loucura (Peter pál Pelbart)

*História da loucura – Foucault

*Escutando a esquizofrenia (Assemblages: Félix Guattari e Machinic Animism – Angela Melitopoulos e Maurizio Lazzarato)

*Nise da Silveira e o hotel da loucura – outras formas de escutar e ver

*Megalomania e os sonhos de universalidade da rede da internet

Fabiane M. Borges é psicóloga ensaísta e artista, desenvolve pesquisa sobre arte urbana, performance, movimentos sociais, esquizoanálise, saúde mental. Dedicou sua tese de doutorado a assuntos relativos à cultura espacial, satélites, foguetes, comunicação e programas de apropriação orbital (open source) a partir do ponto de vista de pequenas e médias empresas e hacklabs (faça você mesmo e cultura maker). Faz atendimento terapêutico e tem uma empresa de consultoria com Adriana Veloso (Cosmos Consultoria). Publicou os livros: Domínios do Demasiado (Ed. Hucitec. SP. 2010), Breviário de Pornografia Esquizotrans (Ed. Ex.Libris), Ideias Perigozas (Ed. Des. centro. 2010), Peixe Morto (Org. Ed. Imotirô. 2011). Mantém o site: https://catahistorias.wordpress.com

Página da chamada pro curso:

https://catahistorias.wordpress.com/2015/08/04/curso-de-esquizoanalise-na-casa-nuvem/

e-mail para inscrições: catadores@gmail.com

investimento: $50,00 por módulo

CASA NUVEM – Rua Morais e Vale 18, 20021260 – Beco do Rato – Rio de Janeiro

Site: https://catahistorias.wordpress.com e-mail:

catadores@gmail.com

Dis.Narrativa um texto de Milena Durante, Pedro Rocha e Fabi M. Borges

Fotografia, 20-07-15 - 19.45 #2

Para ler o texto todo, clica aqui dis-narrativa

perguntas despostas

F: Eu estava às voltas com as narrativas da dança da Pina Bauch, e perguntava que história ela está contando? Depois ouvindo Villa Lobos eu queria de novo entender a narrativa da lenda do Uirapurú. Mas a narrativa daquele outro era pós-narrativa. Dizia que não gostava dessas histórias bem contadas. Mas bem cortadas. Gostava de fragmentos pois era assim que funcionava o próprio pensamento.

M: Enquanto sua narrativa é respeitada, você pode existir.

P: Não existir  é : escrever e re-escrever não deixar de não escrever um ex-crêr milagroso; sim tudo existe, até o que não tem esse corpo  vivo  biológico natural. Vivemos nesse e por esse artifício biológico da máquina mesma. Da escritura viva.

M: Sua voz pode existir? Se sim, você está vivo. Se não, você está morto, ou talvez a caminho de estar. A luta de narrativas que vivemos hoje. Uma narrativa na cabeça e uma faca na mão. Ou nas costas. Lutas por poder, não poder poder, mas poder continuar existindo, são as lutas das narrativas. Estamos perdendo as palavras para os especuladores. É uma briga por não morrer e nossas armas são poucas.

F: No final as ideologias são narrativas em disputa, minha narrativa há de enfiar-te a faca! E calar-te a boca!! Estou aqui para te dizer não, e morrer.

Tecnomagia e Tecnoxamanismo na Era da Paranoia

Ando tentando desenvolver algumas ideias sobre a paranoia como modelo subjetivo para pensar a era do super controle, da criptografia, do antropoceno, das mudanças climáticas, etc. Nessa fala que dei em Porto Alegre, dentro do programa Animismo como Teologia Política, encabeçada por Hilan Bensusan e pela Universidade Pósdescolarizada, introduzi algumas ideias a serem mais desenvolvidas nas próximas falas e textos.

A princípio trata-se de pensar um pouco essa transformação pela qual passa a internet, que de uma promessa de formação de redes esquizos, libertárias e universais, se retrai diante do avanço do super controle, e passa a reagir a era do terrorismo, alimentando um comportamento paranoide. Importante salientar que não se trata aqui de psicopatologizar esse comportamento, senão mostrá-lo como um fundamento da subjetividade que desponta. Nesse contexto a tecnomagia, o tecnoxamanismo, etc, entra como uma tentativa de fabricar imaginários, promover a invenção de novas ficções, afim de ampliar a comunidade dos espectros que circundam essas redes. É como uma disputa de imaginários, disputa de modelos de subjetivação.

A guerra ao Terrorismo, desde a queda das torres gêmeas, se constitui como um grande dispositivo de produção de subjetividade e alimenta o medo e a paralisia geral. Snowden e wikileaks como umas das referencias da nova fase dentro do debate sobre redes e internet seriam os novos sacerdotes, despotas, que erguem os novos totens no deserto, segundo o Anti-Édipo, quando fala do modelo paranoico e o modelo esquizo? Como pensar a relação entre produção e paranoia?  Se o modelo paranoico do Anti-Édipo já não nos convém, como pensar esse novo modelo? etc, etc, etc,…

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jubilee no CNEC em Osório – Curso de Psicologia

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Fui convidada por Rodrigo Lages e Zuleika Costa para abrir o V Ciclo de Cinema e Psicologia na CNEC em Osório no Rio Grande do Sul.

O Tema foi Relações de Gênero, e cada convidadx escolheu um filme para fazer o ciclo das discussões. Escolhi o filme Jubilee do  Derek Jarman (1978).

Esse filme é uma referência da cultura punk e feminista, apesar de ter sido muito criticado por esses grupos na época em que foi lançado. É um filme violento, niilista, profundamente crítico a indústria da música que capitalizava e espetacularizava os movimentos ideológicos. Baita filme!!

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