Sobre o Hackday e o Transmediale – Berlim – jan e feb/2014

Video da nossa palestra no Transmediale

 

Nos primeiros dias levei um susto com  o caráter pró ativo dos artistas-hackers, eletrônicos, trabalhando em grande parte de graça pra levantar uma exposição grandiosa como a do transmediale. Não entendi nada. Uma correria, nada colaborativo, e com o organizador que cuidava das coisas todo afetado, rapidinho, sem tempo, guardando poder, não disponibilizando o material,.

Achei um ambiente frio, gélido, onde os participantes ao invés de serem bem tratados eram tidos como operários.  E eram.  Cada um tinha um tempo mínimo para mostrar o seu trabalho e dizer a que vieram. O que me surpreendeu é que pensei que seria um ambiente colaborativo, que a exposição ia fazer parte do processo, que as pessoas iriam interagir entre projetos, que seria um ambiente de criação, mas era só um ambiente de exibição de habilidades, sem nenhum espaço para a troca de conhecimentos, ou aprofundamento de linguagens.

Esse vídeo mostra bem o modo como eu estava me sentindo: confusa e sem saber direito do que se tratava tudo aquilo, para mim não fazia sentido algum : https://vimeo.com/85422400

A gente fez quase tudo errado, um pouco pela dificuldade da língua, outro porque nosso trabalho não dialogava com o espaço, mas em grande medida porque não conseguiram a caixa de papelão que nós pedimos com quase um mês de antecedência, porque queríamos fazer uma espécie de vôos espaciais na caixa. Enfim.  De modo que passamos os dois dias que todo mundo trabalhava feito doidos nos seus projetos praticamente trazidos prontos de casa, tentando readaptar nossa situação,  e acabamos no dia da exposição, conseguindo fazer um cubo preto com uma televisão dentro.

Chamamos o Cubo Preto  de Caixa de Xawara, porque ela representou o lugar que absorvia a fumaça invisível daquele evento, que era o lugar que representava a doença daquele evento. Na Caixa de Xawara aconteceram duas performances…

A performance da xname ( http://xname.cc/):

https://vimeo.com/85422655

A performance da Pechblenda  ( http://pechblenda.hotglue.me/)

http://www.youtube.com/watch?v=NkhnoVcA0PQ

Afora isso, ficava passando um vídeo com imagens da Terra, da multidão do Lucas, de um vídeo da Serra Pelada que eu fiz, para identificar a questão da Xawara, e um vídeo que o Bambozzi fez do Felipe Ribeiro extraindo o som dos ferros  e da armação metálica da arquitetura da expo.

———–

Enquanto passava essa fase crítica do Hackday, com alguns transtornos de comunicação e com os afetos um pouco exaltados, o Transmediale,  já estava acontecendo, com milhares de pessoas, dezenas de palestras, apresentações, debates, vídeos, filmes, projetos interativos. O tema Afterglow sendo discutido das mais diversas formas.

Nós também tínhamos uma palestra para dar, chamada: Micropolitics of the post digital from street protests to transitional spaces in Brazil, onde Lucas Bambozzi, Marcus Bastos, Adriano Belisiário, Fabiane Borges (eu) falamos cada um sob um ponto de vista sobre nosso trabalho e as questões políticas atuais do Brasil. Karla Brunet comentou as palestras, e Oliver Lerone Schultz foi o mediador.

http://www.transmediale.de/content/micropolitics-of-the-post-digital-from-street-protests-to-transitional-spaces-in-brazil

Aqui tem umas imagens da gente dando a palestra: http://lerone.smugmug.com/IProject/Post-Media-Lab/Micropolitics-in-Brazil-140202/n-3d75C/i-m8CS9wC – o vídeo _ https://www.youtube.com/watch?v=OusdRre_A58

A mesa foi bem aceita, mas sempre na correria, não dando tempo para as perguntas e comentários do público.

Demoro a entender a eficiência desse tipo de eventos grandes, que não se tem tempo para uma troca real com as pessoas, e que mal dá tempo de conhecer os companheiros. Com tanto público, parece ser algo de mostrar a tendência em arte e tecnologia, mas que não tem compromisso com os processos de criação, que dentro da cultura dos hacklabs são a coisa mais importante. Isso sugeriu uma série de pensamentos, discussões e questões entre nosso grupo, mas que vou escrever num outro momento, de outra forma.

Agradecimento a Polo Rafael que nos ajudou no processo e na crise, e Felipe Ribeiro, que além de compor uma ópera do metal, colaborou com o grupo durante todo período do hackday. Aqui: https://soundcloud.com/itinensanzen/trashuremountain

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2 thoughts on “Sobre o Hackday e o Transmediale – Berlim – jan e feb/2014

  1. É algo que sempre me questiono nos eventos. Uma saída que encontro é encurtar um pouco a fala para deixar mais tempo para as perguntas e consequentemente as trocas. Parabéns Fabi!

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