TECNOXAMANISMO – UMA METODOLOGIA COMPARTILHADA – Por Camila Mello e Fabiane Borges

Uns consideram o termo fruto de um profundo exotismo, outros criticam o termo acusando-o de apropriação indevida das culturas tradicionais. Outros questionam a falta de “poder espiritual” de tais procedimentos, mas outros, os que nos interessam, vêem na conexão entre as duas formas de conhecimento indícios de uma nova ética, uma ética ecológica, ou ainda uma ética transformadora que conceba a tecnologia não como um projeto evolucionário mas como um organismo vivo, interdependente do seu meio e, assim como o próprio planeta Terra, capaz de auto-regulação.

É uma tentativa de juntar duas formas de conhecimentos que são constantemente separadas. A bruxa e o cientista. O curandeiro e o médico. A feiticeira e o robô. A convergência entre técnica e xamanismo é um investimento de reparação de erros antigos de má distribuição de saberes e julgamentos deterministas precipitados a respeito das formas de conhecimento. O tecnoxamanismo apela ao animismo, às religiões da natureza, as visões de mundo mais tradicionais, ou ainda ancestrais, a fim de trazer à tona suas sincronicidades, fazê-las interpenetrarem-se. Por outro lado investe em um futuro mais equilibrado, onde o projeto de super desenvolvimento das máquinas não acabe por criar uma fissura irremediável entre humanos e máquinas, fabricando assim robos escravizados, hackeados em toda sua expressão, dessubjetivados. O uso do nome então pode ser visto como um ativismo da matéria, um investimento na subjetividade da matéria, no atravessamento de diferentes naturezas comunicantes entre si, tirando o foco das fronteiras entre orgânico e inorgânico. Também pode ser pensado como uma forma bem humorada de lidar com catástrofes iminentes, ou ainda, como uma utopia contemporânea. De qualquer modo, a idéia da fusão desses conhecimentos vem da vontade de fortalecer seus atributos mais vigorosos: a performance técnica do xamã e a magia da máquina. Ainda não sabemos que detalhes éticos se constituem nessa transfusão, nosso deleite é investigar processos.

Para ler mais clique nesse pdf-

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