Meus dias na Espanha/Italia com Diana Torres, a pornoterrorista nov/dec/2011

Uma bandeira negra que pindurou na entrada da sua casa que diz: “vinganca”. Uma maquina de guerra, criativa, engracada, potente, sexual, exuberante, excentrica, essa ‘e a impressao que tive da Diana, convivendo com ela quase 40 dias. Fui para sua casa para traduzirmos os nossos livros “pornoterrorismo” e “dominios do demasiado”. Enquanto traduziamos nosso livro passei por um periodo de reincidencia. Ja fazia quatro meses que nao fumava, bebia ou comia carne e estava malhando muito. Mas ao chegar na casa dela consegui manter essa performance somente uma semana. Eu dormia e acordava cedo, ela dormia e acordava tarde, eu parecia uma santa, isso comecou ficar mal pra minha “fama” e em algum momento de turbulencia nas redes do submidialogia e desencontros com Diana, resolvi ceder a tentacao e cai de boca em sua rotina maluca. Dai que nos grudamos, acordavamos juntas, dormiamos juntas e tinhamos varios ataques de hilariedade. Ficavamos horas trocando links, postando, dancando e encontrando as posporno todas. Tomando varios tragos, fizemos varios pequenos filminhos que vou postando aos poucos.

Quando fomos para a Italia, as coisas se transformaram um pouco, ja que haviam muitas pessoas que a queriam por perto, e a concentracao para traduzir os livros que tinhamos conquistado em Barcelona se esvaiu, fomos cooptadas pelo mundo do SM italiano, festas de DS e masmorras de dominas profissionais. Aprendi sobretudo que na Italia ‘e muito forte o vinculo da submissao com as praticas cristas, sendo que as dominas falam que varios clientes pedem fantasias de maria madalena, ave Maria, ou Santa Tereza D’avila pedindo para serem punidos por seus pecados, ou que lhes sejam permitido profunda adoracao. Geralmente elas ganham bem, e tem que ter um certo estudo teologico para dar contas das fantasias e fetiches. Com elas fui a algumas festas comuns com espacos adequados para espancamento, tortura, trancafiamento e escarificacoes. Foi interessante conhecer esse mundo na Italia e compreender seus entrelecamentos religiosos, ainda que seja obvio que nao necessariamente todos utilizem essas praticas atrelando-as ao cristianismo ou facismo. Tambem conheci o movimento queer Italiano, num festival de cinema queer em Roma Agender e uma oficina de ejaculacao feminina dada pela Diana em Bologna. Foi interessante ter um panorama queer pos porno da Italia, apesar de ter sido pouco tempo e nao ter conhecido varias pessoas e projetos, mas entendi um pouco por onde anda as discussoes feministas, os filmes que importam e o tipo de oficina que precisam, assim como perceber um pouco da cena da bodymodification. Tambem fomos ate a micro capela da Papessa Giovanna, onde fizemos um videozinho sobre a historia dela.

Quando voltamos para casa de Diana em Barcelona, ela e Flori organizaram uma sexy party, que foi muito divertida. Varias pos-porno vieram, elas encheram a banheira de agua quente com lubrificantes em po para vacas, e foi um dos pontos fortes da noite, ir ate a banheira pegar lubrificante, ou se banhar ou trepar na banheira de lubrificantes. A festa reunia todos elementos do pos-porno, desginitalizacao – tirar a genital do centro sexual, sensualizar outros orgaos do corpo, trocas de papeis de generos, sadismo, masoquismo, bondage, perfuracoes e dominacao, alem ‘e claro de luzes, musica, drinks, etc. Fiquei meio timida ao ver as performances das mocas, ja que pareciam ser muito diretas e saberem bem dos seus gostos, alem de ter um repertorio grandissimo para o prazer.

Essas sex parties ‘e ativismo sexual, coloca a maquina para funcionar, para se exercitar, sexualidade e afeto circulam com mais liberdade. Expandir o desejo e suas formalidades. Essa festa foi a retomada de uma forca centripeta que as vezes se esquece pela burocratizacao das coisas, inclusive na vida das pos porno. Uma infinidade de objetos foram utilizados, desde agulhas, saltos, chicotes, dildos inflamaveis, etc.

Como o afeto que circula pela casa da Diana ‘e muito voltado ao lesbianismo, essas orgias sao mais femininas, alem de feministas. O papel dos homens foi muito no sentido masoquista, de lamber sapatos, implorar por afeto ou atencao, pedir por dominacao, ou que lhes mijassem ou surrassem. Um encontro de dominadoras e dominados, que nada tem a ver com o modelo fascista do Passoline no Sodoma, mas que atende o desejo dessas figuras que querem sentir prazeres nao habituais em suas vidas sexuais cotidianas.

Aprendi muitas coisas com essas pessoas criativas e divertidas, que usam suas sexualidades como processo de descoberta de si e que generosamente espalham esse virus, contagiam. Fiquei um pouco confusa com minha propria sexualidade, nao sabendo bem como agir ou sentir meu proprio prazer, ‘e um periodo de latencia, de descoberta. Na verdade descobri meu fetiche com as cameras e maquinas, me exitava ficar lhes filmando, colocando som, video ou ainda me olhando no espelho, excitada com tudo que estava vendo e me vendo desabrochar pra um desejo novo, que ainda nao sei identificar exatamente. Foi uma experiencia excitante e afetivamente deliciosa ter passado esse tempo em Barcelona conhecendo essas pessoas que levam esse assunto na borda de uma radicalidade profunda, importante, absolutamente necessaria.

Por fim terminamos nosso trabalho juntas, nao acabamos de traduzir mas fomos grande parte do livro.

Para saber mais sobre o trabalho dela, procure http://pornoterrorismo.com

Muito desses lugares nao foi possivel tirar fotos,
mas tem algumas aqui:

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