Mendigos, piratas, videntes – um texto que se desdobra,

Texto sobre cultura digital no Brasil, condicao de mendicancia via editais e pedidos de verba,
sobre tecnoxamanismo, etc.

O texto esta disponivel aqui: mendigos piratas videntes-fabiborges-thiago novaes

Cristina Ribas deu esse texto para seus alunos em Artes Visuais na UERJ, pediu para que escrevessem textos sobre esse texto, sobre o que lhes suscitava, a resposta esta aqui:

Mendigo, por Barbara Bandini
Mendigo:

João Da Silva: Advogado, 56 anos, trabalha atualmente na DIC – defesa dos Interesses da Coletividade e a mais de 20 anos esta submerso em burocracia e interesses obscuros. Hoje como presidente deste grupo praticamente já se esqueceu do seu real significado/objetivo, ele gosta de estar sempre na liderança dos outros grupos, garantindo assim um maior apoio financeiro para seus projetos que já não condizem mais com o que foi outrora. Seus projetos agora tem outras prioridades, tem que atender além dos muitos interesses dos patrocinadores o de promover ainda mais o nome de sua “empresa” garantindo reconhecimento e popularidade para a mesma, para que assim esta possa estar sempre a frente, sempre com poder politico para promover mais projetos, projetos esses que perderam grande parte do seu significado exatamente por agora atenderem a interesses não mais em prol da coletividade mais a favor de uma minoria privilegiada que sempre controlou tudo e que fará de tudo para que continuar assim, abrindo mão do minimo possível para agradar o povo e se manter no poder.

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Por BIANCA LASSÉ ARAÚJO

REDAÇÃO SOBRE O TEXTO “MENDIGOS PIRATAS VIDENTES”

O PIRATA

Gustavo era estudante do ensino médio quando começou a participar do movimento estudantil através do grêmio de que fazia parte.

No início, ele acreditava que poderia transformar as coisas através de sua ação, entretanto, o tempo deixou tudo mais claro e ele começou a perceber que no movimento estudantil havia mentiras e acordos em troca de favores.

Mesmo não concordando com algumas coisas, ele foi ficando quieto, afinal, ele também fazia parte do movimento. E toda a vontade de lutar pelo bem coletivo foi se esvaindo. E assim, começou a ficar envolvido com lutas pelo poder.

Enquanto lutava por um cargo no movimento, seus discursos e seu modo de agir foram se modificando. Tornara-se egoísta, uma pessoa individualista e inconfiável pois migrava para o lado que fosse melhor a seus interesses. Foi afetado pela ganância, aliando-se a qualquer um que pudesse trazer mais lucro e poder.

Gustavo tinha a aparência de uma pessoa comum, diferente daqueles homens barbudos de cabelos grandes, com espada, perna de pau, tapa-olho e um papagaio no ombro. Só tinha um ponto em comum com os piratas dos filmes: o caráter. Passava informações confidenciais, vivia da apropriação de ideias dos outros, do roubo e da cópia.

Em pouco tempo de acordos sujos e negócios roubados, ele conseguiu um cargo passando por cima de todos. Já não tinha mais amigos, só acordos políticos. Ele já não dizia que ia mudar nada a favor de ninguém, só pensava no poder e em outro cargo que poderia alcançar.

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Por Elizeth Pinheiro da Silva

Pirata

Seguindo o conceito de piratas descrito no texto Mendigos Piratas Videntes de Fabiane Borges e Thiago Novaes, criei um personagem onde ele copia as obras de artes vende estas cópias pelo valor do custo acrescido 10%, com o intuito de popularizar as obras de arte.
Senhor X é um homem de muitas habilidades artísticas. Ele fazia suas obras de arte e vendia as mesmas em uma feira de rua que ficava a beira de uma praia na zona sul do Rio de Janeiro. Senhor X sempre freqüentava exposições e vernissages que aconteciam no circuito de arte do Rio e ficava sempre constrangido com o valor cobrado pelas obras que ali eram comercializadas, por estarem dentro de uma instituição, e não em uma feira popular. Certo dia ele resolveu copiar obras eu ele acabara de ver em uma das vernissages que ele freqüentou. Escolheu a obra que estava sendo vendida pelo maior valor. Esta obra estava estampada no convite virtual da exposição.
Determinado, Senhor X começou a trabalhar em cima daquela obra caríssima e não parou enquanto não havia terminado sua cópia. Quando terminada, senhor X percebeu que o esforço gasto naquela obra nada diferia das obras que ele mesmo fazia e vendia a um valor incrivelmente menor na feira. Senhor X sabia também que o público que comprava suas obras não tinham condições financeiras para comprar aquela exposta na galeria. Então, qual a diferença entre o meu público e o público de uma conceituada galeria de arte, senão somente o recurso financeiro? As pessoas que compravam na galeria eram mais humanas que as da feira popular? Então senhor X passou a copiar as obras de arte mais caras e badaladas das exposições do circuito carioca e as colocou para vender na feira onde ele vendia suas obras. As obras que o senhor X só não eram cópias perfeitas porque ele não copiava as assinaturas dos artistas, e sim as assinavam com a sua própria assinatura, pois segundo ele, aquelas obras não eram as dos artistas institucionalizados, e sim daquele simples artista feirante.
O valor que ele cobrava pelas obras copiadas era o valor do custo dos materiais e mais 10% deste valor. Com isto, ele observou que o público não gostava mais daquelas obras copiadas que as obras de arte deles. Isto somente acontecia quando algumas pessoas haviam ido à exposição e reconhecia ali os quadros lá expostos.
Senhor X acabou sendo denunciado e processado, porém como ele não copiava as assinaturas dos artistas, ele alegou que aquelas apropriações era o seu trabalho artístico. Este evento foi divulgado por várias mídias e o senhor X foi contatado por várias galerias que ficaram interessadas em seu discurso e seus trabalhos plásticos, porém, senhor X preferiu manter seus princípios e continuar a vender suas obras a preços muito abaixo das obras institucionalizadas, porém após este episódio, suas obras de arte passaram a ser vendidas quase instantaneamente. Muitas pessoas que compravam nas galerias passaram a freqüentar a feira também, porém muitos outros continuaram a não achar válidas as obras vendidas numa feira de rua, julgando os artistas que lá expunham seus trabalhos menos qualificados que os artistas institucionalizados, assim como suas obras serem de menos qualidade.

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Pequeno roteiro de personagens imaginários a partir da leitura do texto: “Mendigos Piratas Videntes”

por Dally Schwarz

SISTEMA ONIPRESENTE SOCIAL (SOS)

CATEGORIA DOS CIDADÃOS
A- Indivíduo normativo
B- Indivíduo desviante
C- Indivíduo perigoso

FICHA DE CONTROLE DE INDÍVÍDUOS PERIGOSOS

B001


Nome: Chappa
Idade: 24
Nacionalidade: do mundo
Dia do nascimento: O dia em que fugiu da casa de sua mãe
Dia de morte: todo dia é um dia de morte
Ideal: tudo de gratis
Local que mora: Morro da Província
Atividade: poeta de rua
Tipo sanguíneo: tipo ruim
Status social: parasita
Remuneração: esmola
Contribuição social: não pra essa sociedade
Religião: ateu, graças a Deus!
Etnia: preto

Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B001 já teve passagem muitas vezes pela a polícia do sistema de controle e apresenta comportamento de desacato as autoridades. Porta imagens e uma aparência violenta, com informações consideradas ilegais e imorais para a sociedade.
Atualmente responde em liberdade por denúncias de atividades de pirataria de mercadorias e informação.

B002

Nome: Maccará
Idade: 17
Nacionalidade: 18°00’S46°30’W
Dia do nascimento: está sem a carteira de reconhecimento
Dia de morte: pressente que ainda é jovem
Ideal: poder visitar sua cidade na Zona N
Local que mora: abrigo
Atividade: catador de latinhas
Tipo sanguíneo: não sabe.
Status social: solteiro
Remuneração: por latinha
Contribuição social: já é descontada na remuneração
Religião: crente
Etnia: brasileiro

Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B002 possui distúrbios mentais evidenciados pelos centros de saúde médica do sistema social e também passagem por abrigos para cidadãos sem moradia, com fichas que evidenciam agressões a outros indivíduos. Não possui moradia, e seu registro de catador de latas está vencido. O indivíduo B002 ainda não procurou o SOS para atualizá-lo.

B003

Nome: Bella
Idade: 30
Nacionalidade: 18°00’S46°30’W
Dia do nascimento: o dia em que morri
Dia de morte: o dia em que nasci
Ideal: anarco socialista
Local que mora: ocupação Flores do Mal
Atividade: tecnoartista e contorcionista
Tipo sanguíneo: pitta
Status social: mangueio
Remuneração: freelances
Contribuição social: trabalha em um ponto de cultura autônomo
Religião: agnóstica
Etnia: parda
Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B003 auxilia baderneiros em atividades ilegais, tais como invasão de prédios, manifestações públicas de grupos de esquerda. Tem suspeitas de pertencer a algum grupo intelectual de guerrilha de informação contra o sistema social. Necessita de controle na sua identificação serial para uso de sistemas de informação e internet.

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O carregador de restos

Por René Gaertner

Vivia do ofício de recolher. Sobras, excedentes, restos. E carregava-os. Restos materiais de algum objeto humano. Um enlatado constituído por artérias e veias, um gasto motor movido à propulsão sanguínea. Rodas e pedais de couro cru. Canais cartilaginosos vazios, lanternas riscadas. Arrastava-os pelo caminho, um volume cada vez maior e mais pesado. Aos poucos, nem recolhia mais. Carregava e ia arrastando o que encontrava pelo caminho. Aos poucos, carregador e restos não mais se destinguiam. Somente uma grande massa, um volume de cores e pernas andando pelo caminho. Um volume de olhos e cabeça. Uma grande massa de restos se erguendo pelo caminho.

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