chat glerm e fabi sobre workshops, residencias, mobilidades 26/04/11

Continuando os textos-chats, postei tambem essa conversa minha com

o glerm, sobre oficinas residencias e mobilidades – a quem interessar possa:

Enviado às 03:58 de segunda-feira

glerm: tou escrevendo um monte, mas nao sei se encaixa

no livro ainda, preciso adaptar pra algo menos localizado

agora vou partir pra uns axiomas

fabi: hei, que massa

manda pra mim, eu gosto de ler tuas coisas

glerm: http://toscolao.devolts.org/?toscolab

glerm: ainda vou escrever essa parte

fabi: olha que interessante,

glerm: o que fiz mais hoje foi dar uma complementada

naquele diário

fabi: tu acha que residir e mobilizar ‘e um avanco das oficinas

hummmm

po, ta ahi

eu nao tinha pensado nissso

glerm: http://toscolao.devolts.org/?fase1

fabi: eu pensei nas oficinas por um lado

as residencias por outro

tentando negociar o caminho dos eventos de arte

e os eventos de midia, e essas oficinas todas pelo meio

rsss

vou ver o link

glerm: eu tou querendo escrever uma coisa do tipo que

existe uma (não) localidade

que exige uma postura

que é algo assim

quando você se desloca

principalmente pra um contexto geograficamente mais distante

(mas acho que tb ocorre na mesma cidade)

as pessoas esperam de voce uma especialidade

uma coisa meio técnica

mesmo que não tenha a ver com tecnologia

poderia ser tambem uma aula de filosofia

sobre o tema que voce é especialista

mas seu dever é subverter esta espectativa

em funçao de ser cumplice

dos problemas imediatos do lugar

daí voce aplica aquela especialidade

(seja tecnologia ou ontologia que voce acredita e prega)

aplica na prática

e o discurso vira um suporte da prática

não o oposto

(que é um puro utilitarismo anti-utópico e inerte)

…..

fabi: hum

no se

so inverter, nao resolve

pq o negocio gira, que nem moinho de vento,

nao importa tanto qual aba ‘e primeiro

e principalmente, nao soluciona tanto a coisa

nesse sentido, eu gosto do slogan do submidialogia

A arte de re:volver o logos do conhecimento

pelas práticas e desorientar as práticas pela

imersão no sub-conhecimento

glerm: não sei se é uma questão de “só inverter”

mas falo de uma barreira necessária

de se romper este lugar cômodo

onde voce faz o que esperam de voce

por mais novo, diferente, ou necessário

que seja aquilo que esperam

fabi: “quebrar barreira e criar cumplicidade”

glerm: … existe uma necessidade de não se anular

dentro desse lugar que os outros ja criaram pra voce

… um dever de não-alienar-se

para não alienar

numa espécie de loop seguro

não sei muito bem se ainda faltam palavras pra falar disso

….

fabi: tava pensando no sub paranagua

como ex. do que tamo falando,

as oficinas, um evento baseado em workshops:

1- amplia o evento para a comunidade geral pra alem

dos participantes (artistas, tecnicistas),

2- funciona como uma universidade livre (cursos livres)

3- cria panorama de varias praticas e varios discursos

(aberto, gratuito, coletivo)

workshop x residencia…

glerm: eu não estou negando a prática “oficina”

mas sim botando sob suspeita

fabi: rsss

sim, to pensando contigo, auahuauuhauu

glerm: é um problema básico

de retórica versus catarse

acho que tem a ver com o que vc chama de liturgia

a diferença da palavra falada

e palavra cantada

… a “verdade”

como um delírio

(que pode ser contradito, mas é dito como

delírio em “verdade”)

sempre colocando sob suspeita

o sofisma platônico

da “sociedade ideal”

… ‘universidade livre’…

Enviado às 04:15 de segunda-feira

glerm: humanidade “livre”…

quando em “paz”

e prosperidade

fabi: calma

glerm: rsrs

fabi: rsss

do outro lado a residencia e mobilidade

que nao ‘e bem cartase e tal

– a tal imersao –

glerm: eu digo residencia+mobilidade como um

binomio quase contraditorio

um pertencer ontologicamente mas não geograficamente

residir no sentido de ser cumplice daquela vizinhança

ao inves de apenas colocar-se na posição segura

de ser portavoz de um pragmatismo civilizatório

fabi: pode crer

mas a questao ‘e que numa residencia (seguindo a viagem)

digamos de varios artistas, ou hacklabistas )))))))))

Uau!! hacklabistas e artistas ‘e quase uma antagonia tbm, ne?

quer dizer…

glerm: artistas e/ou hacklabistas

rsrs

é um paradigma

porque artista remete ao iluminismo (libertário mas histórico, secular)

e hacklabista ao pós-modernismo (pós-histórico)

fabi: hacklabistas teriam uma cena de construcao coletiva

a principio, enquanto artistas, ‘e trabalho pessoal,

viagem narcisista (mostra de trabalho anteriormente produzido

– relacao com o entorno, a partir da ferramenta artistica

sim, vc resumiu…

que cena dificil!

em q vc pensa qd fala em residencia e mobilidade?

glerm: acho dificil pensar isso sem simplesmente tachar

o artista de narcisista e hacklabista como uma espécie de

templário utópico, criando a pós-sociedade, sem ego

fabi: sim, dificilimo… auauhauauahuuuhauu

glerm: os hacklabistas tb estão numa armadilha grande

são como os físicos do século 20

que viraram popstars

e acabaram fazendo a bomba atomica

“altruistas genios”

igualzinhos os artistas eram para os monarcas e

seus tetos de igreja, que eram o cinema da época

ou o que é o cinema do século 20 até agora

a nova igreja

da religião Banco -dólar – vida de cartão postal

fotograma

fabi: um pouco mais aqui em baixo, vc acha que

o workshop tambem ‘e uma das ciladas do hacklabista

no?

glerm: vamos tentar pensar por exemplo numa aula sobre Heraclito

como uma espécie de workshop

pra não ficar nessa coisa de que falar sobre linux é workshop

e uma aula sobre Esquizoanalise 20 doutorados depois

ainda não é um sistema operacional

há essa diferença

entre um worksop sobre

“Penas de urubus como o novo computador quantico

da ontologia das cordas soando em pós-colonias”

(que facilmente tornaria-se uma espéccie de

performance/jogo/dança/comunhão)

e qqer coisa-fala que seria um lugar seguro

que poderia te garantir 2 anos de técnica e emprego

nesse sentido que falo um pouco

da diferença entre o workshop, mesmo que “técnico”,

sobre clínica deleuziana, heraclito ou linux

mas aí “cumplice”

o que chamo de residente

sabendo que voce não habita aquela comunidade

e por isso mesmo sua palavra vai causar um “impacto

ambiental”

vai gerar uma demanda por um emprego que você prega

existir num mundo que você habita

(“reside”)

… voce vai ter que fazer aquele emprego

automaticamente existir naquela comunidade

e automaticamente vai ter que ja construir

desconstruindo colocando uma espécie de armadilha

pra esses espelhos distorcidos de voce

… porque de onde vc ta, voce sabe onde estão os

buracos daquilo que vc acredita

mas se vc não falar nem da parte que acredita

voce nao se move

então tem tambem essa mobilidade

que gira em função do equilibrio das forças

……….

fabi: que bonito, tb um exercicio de humildade

glerm: (nao sei tou digitando sem parar, nao sei ja faz sentido)

fabi: faz total

mas comeca a complexificar

mobilidade 1- de onde se parte

mobilidade 2- mobilizacao comunitaria (sincronizar desejos)

– relacionar-se com o ambiente para onde se vai

mobilidade 3- mover-se do lugar dos espelhos

abriu o leque das mobilidades

e no caso das residencias -:

1- residir no espaco que se habita,

2- residir no espaco temporario

3- presenca constante virtual

tres residencias concomitantes (no minimo)

mas a questao ‘e:

Enviado às 04:37 de segunda-feira

fabi: residir/mobilizar – trazer um enviroment,

sem necessidade de um impacto ambiental,

mas um envolvimento com o entorno, afim de

aplicar os conhecimentos e faze-lo se exercitar,

enquanto ele mesmo ‘e reconstruido enquanto aplicado

sorry glerm

acho que to so te traduzindo, rssss

ainda temos alguma coisa nao mao, algo sobreviveu,

ja ‘e um avanco:

armadilha 1 – espelhos

armadilha 2- metodo tradicional de passar informacao

(representacao do proprio papel)

armadilha 3 (promessa)

gostei particularmente da armadilha 3

glerm: ops

fabi: a promessa

terrivel, pq ‘e isso mesmo

alem de passar uma tecnica se quer mobilizar

um campo de crencas

Que so pode ser efetivado se muitas

crencas e praticas forem acionadas

glerm: eu tenho pensado em alguma coisa

que quero fazer nos proximos anos, mas nao sei por

onde começar muito bem, sem me perder completamente…

eu queria construir uma espécie de “maquina de discursos”

pra fazer essa coisa das “armadilhas” talvez

não sei bem porque na verdade

nao sei bem um porque

é uma espécie de dança com a linguagem

mas é uma coisa assim

uma espécie de embaralhador sintático

que conseguisse remixar discursos

conjugando, usando adjetivos e termos de determinados

discursos… eu fico pensando daí novamente

nessa diferença entre retórica e catarse

… de que o discurso mais poético, quase oracular

seria muito fácil e divertido de produzir

mas estes discursos especializados não, porque eles

vencem muito rápido, são adaptativos

essa tecnicidade precisa se adaptar

é algo muito histórico, objetual,

especializado…

nao sei se isso é meio lacanismo demais tb, estruturalismo demais

aquela coisa de “fala-ser”

de ato falho no fonema

… qual o limite… enfim

… tipo tocar um violão e o livro sai pronto

por derivação gestual e memética/mimética

fabi: rsss, entendi

eu nao sei

ando as voltas com o discurso oracular (ou a cartase)

mas ‘e um lugar dificil, pq precisa de crenca

principalmente crenca nas habilidades de modificar

os pontos de aglutinacao da concentracao, atencao, ou consciencia

e alem disso ‘e pouco provavel, e tem suas proprias hierarquias

uma delas ‘e a associacao direta com a religiao, que vai

pelo menos pra dois sentidos:

1- a ligacao afetiva com o “religioso”, simpatia por similitude

2- a outra ‘e a critica contundente a tudo que supoe a cartase

– seja por niilismo, materialismo, ateismo, cientificismo,

tem uma outra possibilidade (onde esta a aposta),

de embarcar no processo como forma de experimentacao

ve que a experimentacao aqui nao ‘e a mais forte das reacoes,

a cartase esta completamente construida tbm, muito bem alicercada

ate o inconsciente entra nesse rodao, muitas vezes,

acho que lacan foi importante pra salvar o inconsciente

das garras dos crentes

Enviado às 04:55 de segunda-feira

glerm: ´e, tudo que não se explica vira arquétipo,

mandala, cultura, rsrs

fabi: foda

mas ‘e isso mesmo, um lugar delicado de trabalhar

tu viu o videozinho que fiz do ze celso nos sertoes da bahia?

glerm: nao

onde ta? passa o link

fabi: http://vimeo.com/21358048

glerm: tem a ver com aquela peça do antonio conselheiro?

fabi: o teatro ritual –

sim, mas feito em canudos mesmo

glerm: vc participou da peça?

fabi: nao, so filmei

‘e um video de um minuto

que fiz pra uma apresentacao aqui

glerm: curioso, qdo visitei o f ele falou do ze celso

rsrs esculachou

fabi: esculachou? pq?

glerm: tava dizendo que a coisa dele não tem foco

nao sei direito exatamente a critica

nao sei se entendi

mas algo tipo de que ele é procurado por gente muito perdida

fabi: rsssss

glerm: e que ja nao da mais conta do recado

que a maioria das pessoas que participam não tão na intenção proposta

e mais numa egotrip

Fabi: eu acho que o ze celso pode ter tudo, menos falta de foco

glerm: nao sei

ele nao falou extamente com essa spalavras

talvez nao tenha dito isso

mas falou de uma falta de tato

com essas pessoas surtando por la

talvez alguma coisa de pessoal nisso tb

falou que uma vez desafiou ele

falando que eles tavam profanando dionisio

fabi: o ze diz ter uma funcao no mundo, ele ‘e o profeta

– ele ‘e o profeta do ritual cetico, da religiao sem deus,,,

glerm: porque ele queria ir embora e nao quiseram

devolver o vinho dele, rsrs

fabi: outro profeta, rsss – jogo de forcas –

ahahah

glerm: mas a reclamação era mas ou menos essa

acho que não falta de foco

mas falta de tato

com pessoas extremamente sensibilizadas

com aquela megalomania toda

fabi: sim, concordo, mas isso ‘e exigir que o cantor

seja legal em casa, ou o escritor, seja um bom conversador

no bar, enfim…

glerm: aquela coisa toda

fabi: o que importa aqui ‘e a obra do cara

e a obra dele procura a cartase, que e um dos nossos assuntos

a cartase , o rito e a ampliacao da consciencia atraves da

coisa religiosa/blasfema

o rito e a iconoclastia

Enviado às 05:05 de segunda-feira

fabi: o efeito e a mobilidade tambem ‘e um dos projetos

do “teatro ritual” do ze celso

se nao, nao iria fazer a peca pra cerca de 4 mil pessoas

por dia, em canudos, que foi um grande marco na cidade

o renato cohen era outro

que usava a tecnologia e a cartase

criar esse ambiente so com drogas e alcool,

‘e o mais obvio e facil e utilizado

para fazer de outro jeito, ‘e mais pesado, dificil e

nem sempre com mais resultados, rssss

eu nao sei pq me meti nessa, mas agora fodeu,

vou ter que dar uma de xama aqui

voltei a andar de bike, andei 50 km hoje, pra ver se

fico mais forte, pra lidar com o clima

‘e que nem ser profissional do sexo

vc treina umas passagens, e fica facil “alterar o estado” do cliente

mas tem que ter corpo

no final, so falei disso, pra mostrar que a cartase,

como a retorica, tbm tem seus esquadrinhamentos

tu viu esse das possessoes do candomble?

tbm so 1 min. http://vimeo.com/21355165

glerm: é justamente esse ponto que é o sensível –

a diferença entre deixar o outro desejar e de embutir

um desejo, quase obrigar um desejo, por uma pretensa

liberdade que esse desejo comporta…

era essa a reclamação que eu e o f concordávamos

sobre esse tipo de ritual à la zé celso

ou eu pergunto ainda: quanto de behaviorismo pode

haver numa “esquizoanalise”

… existe essa diferença entre ouvir e deixar falar,

e de imbutir uma fala (ou falo ou falasser)

no outro (outra)

por mais “libertária” que seja a intenção

fabi: sim… mas

tem que ver se imbute mesmo, ou se ‘e uma intervencao forte,

no caso do ze celso e o silvio santos

ali ‘e briga de dois pesos pesados

nao se trata so de imbutir

se trata de mobilizar tbm

quem pode mais o sangue ou a pedra?

ze celso fraquinho nao pode com nada

muito menos com silvio santos

respeituoso, sensivel, cheio de tato,

ja tinha ido pro brejo

a forca dele reside nessa incoerencia mesmo,

[te cravo a ferro o desejo pela liberdade que eu ja

vislumbrei e te reparto!]

e te abandono na sequencia

a ressaca disso tambem deve ser pesada

– vamos respeitar todo mundo, nao imbutir nada em ninguem

e deixa a midia de massa pegar tudo

os videos mais assistidos do youtube ‘e sobre o que?

glerm: nao nao, nao tou falando dessa parte mais óbvia

mas de coisas bem mais sutis

fabi: nao ‘e obvio

o ze celso ‘e a linha de frente do ritual sem religiao,

no brasil e no mundo

Glerm: como por exemplo uma atriz ficar confusa entre

a segurança de ter um parto sozinha (pois ja nao se identifica

com familiares, mas tambem é no fundo insegura quanto

a sua nova “familia” de amores dionisiacos)

disso pra algo ainda mais simples

mas que pode acabar com a vida de alguem

tipo achar que é livre porque desejou desejar o desejo do

desejo de alguem

fabi: sim, entendo

mas glerm, to cheia desse papo de cuidado por aqui,

saco cheio mesmo: cuidado, delicadeza

nao interferir, nao criar impacto

sei nao!

glerm: rsrs

fabi: eu nao conheco muito ator que se matou,

conheco quem o ze celso “nao deu bola”

glerm: eu tou falando talvez duma outra coisa

que é mais do cara que entra para ter auto-confiança

do que uma culpabilidade do “diretor”

fabi: enfim

rola tbm de tocar uma viola e criar monte de rituais diferentes?

eu tava precisando disso!

acho que vou dormir, sao 5:30 da manha aqui

continamos… talvez eu edite e publique no meu blog, rola?

gostei desse negocio de colar chat, rssss

Enviado às 05:26 de segunda-feira

glerm: boa sorte na edição… e deixo um abraço grande pro f,

que foi mencionado…. ou qqer pessoa que possa falar melhor

de si mesma do que eu desta… quais eram os axiomas mesmo?

abraço tb para sua pessoa, e para seu workshop liturgico que

estás a preparar

fabi: ixi, ahahah

glerm: rsrsr, saúde…

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