na espanha – micropoliticas – Barcelona/Madrid

Grupos como Universidade Nomada, Traficante de Suenos e Tabacalera sao coletivos que vem enfrentando problemas de auto-gestionamento como todos coletivos do mundo. Por isso acham necessario publicar e promover livros como de David Vercauteren

http://www.traficantes.net/index.php/trafis/editorial/catalogo/utiles/micropoliticas_de_los_grupos_para_una_ecologia_de_las_practicas_colectivas que traz um pouco das tradicoes construidas nas decadas de 90 e 2000. Atraves das experiencias do seu proprio coletivo e outros grupos, David criou uma especie de metodologia para trabalhos de organizacao dessa nova ordem do “precariado” chamado coletivos.

Diante dessas urgencias, parece que propostas mais ruidocraticas (como a que levei)  https://catahistorias.wordpress.com/2011/02/16/texto-sobre-processos-imersivos-tecnoxamanismo-e-ruidocracia/ ficam como pano de fundo, como mais uma das possibilidades de trabalhar com grupos, trazendo elementos rituais, tecnologicos, ampliando formatos de dinamicas de encontros… Quem mais incentivou a ideia das ruidocracias, deu varias opinioes e alavancou algumas propostas de trabalhos futuros foi pedro Soler, que como sempre, incentiva a criacao e construcao de novos processos, apostando na sensibilidade, na subjetividade e na cultura livre…

O que me incomodou um pouco no evento foi o objetivismo. Parece que o elemento “urgencia” prescinde de coisas mais “subjetivas”, reproduzindo sistemas de Estados, de empresas, metodos representacionais, que forjam um estado de praticidade e definicao, mesmo que os corpos, os desejos nao estejam la.

No encontro em Madrid, foi eleito entre os participantes um estudo de caso  sobre o Tabacalera, http://latabacalera.net/c-s-a-la-tabacalera-de-lavapies/ que ‘e um centro autogestionado por dezenas de coletivos, 8 mil metros quadrados. Os grupos tem enfrentado problemas para manterem-se operando de forma eficaz, ja que pretendem que a organizacao seja horizontal. Um problema completamente contemporaneo, necessario e desafiador, pois se fosse facil resolver a autogestao horizontal, ja estariamos em outro patamar, mas nao ‘e o caso, todos tateamos e buscamos saidas.

O fato ‘e que ‘e dificil fazer com que as pessoas tenham desejos sincronizados para atuar, e quando falamos em autogestao, fica dificil falar em sincronizacao….  Sendo muitos coletivos, e muitos deles adictos  ‘as formas de assembleias mais classicas, cria-se um espaco tenso, ja que muitos nao aguentam, suportam ou desejam estar em reunioes ordenadas, consensuais, ou ainda com votos ou acordos sobre gerencia do espaco, apesar de fazerem parte de sua construcao.

Nesse sentido, me parece que ‘e preciso inovar nos formatos de atuacao das assembleias. Sei que estou falando algo dificil e que muitos grupos tem tentado… Aqui ainda penso nos formatos de sociodramas, que no Brasil sao aprofundados por Mariza Greeb, que coordenou nao so o psicodrama da cidade, felizcidade, como varios outros projetos de organizacao de redes afins http://www.psicodramadacidade.com.br/historico/editorial.htm

As propostas de David Vercauteren, indicaram algo interessante mas dificil de ser realizado, que era a descentralizacao da coordenacao, a representatividade de pelo menos um de cada coletivo, para encontros de organizacao, e avaliacao de tres em tres meses.

Acho que o problema dessa proposta ‘e despertar o desejo dessa juncao. Porque se o desejo nao esta presente, fica muito dificil levar um programa desse tipo a diante… Mas nesse caso tem-se uma cobranca incessante do governo, que a qualquer momento pode tirar o espaco dos coletivos, se nao constituirem um plano  comum de acao.

Depois dos encontros, eu e Rachel Nun conversamos sobre outras possibilidades, mais preocupadas em enfocar na escuta do espaco do que apontar solucoes organizativas, ja que sabemos que apartir da ampliacao da escuta se pode ter mais alternativas para se organizarem localmente…

A ideia ‘e trabalhar no sentido de amplificacao da escuta, por meio da amplificacao das diferentes vozes, utilizando meios midiaticos e laboratoriais…  as modulacoes se dao conforme os materiais coletados…   Pode se chamar isso de Assembleia mediatizada, ou ainda de ruidocracia, ou ainda de cena de amplificacao…

– Criacao de uma radio (livre/web/comunitaria/poste) aberta para todos grupos envolvidos e os grupos de imigrantes que ficam na porta de entrada, assim como usuarios em geral

– Criacao de videos experimentais – sem necessidade de edicao –  (com perguntas sobre o espaco, experiencias compartilhadas, questoes sobre os trabalhos dos grupos, o que as pessoas estao fazendo la, planos, projetos, sonhos, etc) semanalmente expostos no grande salao grande, para ser apreciado no minimo aos finais de semana

– Fazer campanha para mais computadores,  aumentar o  espaco de acesso a internet, atraves de midia social, radio, e meios de comunicacao de massa – organizar melhor os laboratorios de internet (comunicacao potencial)

– Construcao de campanha social interna para apropriacao do espaco, com fins de ampliar o numero de interessados e responsaveis por sua manutencao, assim como ampliar o numero de aliados para a concessao do espaco por parte do governo

Algumas  coisas sao importantes de serem faladas:

1- que o programa se inicia com os participantes mais ativos, e amplia-se para todos interessados (participacao aberta, publica com centralizacao minima)

2- que isso ‘e um programa de escuta, de utilizacao das midias para criacao de uma plataforma de participacao mais afetiva e menos representativa

3- que a modulacao ‘e diferente da facilitacao ou moderacao. Com modulacao pretende-se alcancar um largo espectro de emissao cuja recepcao se dara de forma aberta e projetiva (incluindo mal pressagios, pessimismos, niilismos e terriveis opinioes sobre o espaco)

4- Criacao de festas/assembleias (festas com conteudo midiatico politico, formativo, colocando as pessoas a par da situacao, enquanto bebe-se, ouve-se musicas, dancam (exemplo festas TEMP)

Apartir dessa metodologia simples de amplificacao de sinais fracos alavanca-se no minimo duas novas possibilidades:

1- Que se crie o desejo de pensar o espaco (a partir do uso de midias e nao so das assembleias) – ESCUTA AMPLIFICADA

2- Que se amplifique os focos de escuta sobre o espaco, para que sua utilizacao esteja mais sincronizado com os desejos que o frequentam – MAIOR ENVOLVIMENTO DOS GRUPOS

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