Participação no Olho da Rua – Galeria Olido – 2009

Participei da Mostra Olho da Rua, organizado por Túlio Tavares na Galeria Olido em 2009 – Foi sobre nossos trabalhos relativos ao centro de São Paulo, visando principalmente os moradores de rua, sem tetos, e os processos de gentrificação – Meu trabalho foi apresentar alguns vídeos dos catadores de histórias, assim como colocar pedaços de textos do meu livro “Domínios do Demasiado” Para ver toda a exposição, aqui: http://olhodarua2009.wordpress.com/

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Portifólio-currículo-Memorial Fabiane Borges

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MEGALOMANIA – MITOMANIA

MEGALOMANIA – MITOMANIA

POR FABIANE BORGES E MILENA DURANTE

 

 

Imagine um lugar onde as pessoas podem viver seus delíros, suas invenções, suas performances eróticas, narcisistas, megalomaníacas sem ter medo do ridículo. Não, não estamos falando do carnaval, mas concordamos que o carnaval favorece com que isso aconteça. Em uns lugares mais que outros. No carnaval as pessoas saem com suas fantasias à rua, mudam o comportamento, a forma de se relacionar com pessoas, coisas e cidade. São quatro dias de delírio coletivo, onde a fantasia assume o controle da situação e sugere uma vida mais adequada aos devaneios de cada um.

Afora isso se vive sob a égide do compromisso, das boas maneiras, do falar bem, do corresponder as expectativas, da seriedade, do comedimento, da eficiência e todas essas formas de controle social, que nós mesmos estamos acostumados a praticar com nosso julgamento incessante, nosso preconceito, nosso senso de ridículo. Mas isso tem um preço, que já nos é sabido: adoecemos. Ficamos com crises de pânico, ansiedades, fobias, depressões, bipolaridades e mais um tanto de patologias que enchem as clínicas de medicina e psiquiatria, ou nos faz sermos somente mais tristes, mais caídos e niilistas.

Ficamos com menos nuances, vemos as coisas com menos cores do que elas tem, nos repetimos em processos de sofrimentos neuróticos, e gastamos tempo e energia em tentar “consumir” o bom equilíbrio, a boa saúde física e mental e diante disso, a maioria de nós se sente descompensado, pois esse “bom lugar” está sempre um pouco mais além dos nossos esforços, ou porque é mais magro, mais inteligente, mais brilhante, mais respeitado, mais bonito, mais saudável, mais sexy appeal do que nós.

Por outro lado temos os que investem numa vida mais singular, mais original e que sofrem de toda patologia jogada contra eles, em forma de isolamento, exclusão, não reconhecimento, ou ainda através da ironia nefasta que tudo encaixa num sorriso amarelo cheio de intolerância. A pessoa vira a piadinha nas bocas escancaradas de preconceito.

A saída vai se afunilando, as vezes se fechando e sobra um sofrimento existencial crônico de todos os lados, salvo as vezes por alguma agenda que garante sua aparição, como nos embalos de sábado à noite, sozinho na frente do espelho, ou nos lugares permitidos onde se pode performar, elouquecer, porque se está diante de um aparato que define que aquilo é arte, cinema, ou qualquer outra proteção, escudo protetor que garante a zona de seguimentação e distância.

O delírio sofre de claustrofobia.

A vida afunilada, sem escape.

É por isso que quando pensamos em megalomania e mitomania, entre outras expressões de si, desconfiamos da grandeza que há nisso, logo psicopatologizamos, porque nos custa ver o delírio quando este anda às soltas, quando não está encapsulado em nenhum cabo sugador. Machuca nossos ouvidos acostumados com dissonâncias sem nuances, que promove a noção de que tudo que não se enquadra no sistema de doma, é perigoso ou mal, que causa dor ou morte. Pensamento mesquinho, sem generosidade, sem interstícios. E assim nossa escuta do que é grandioso é reservado a pensamentos íntimos ou desembocam em uma psicossomatia qualquer. No fundo nossa pedra no rim pode ser um devaneio não vivido, uma fantasia que nunca ganhou forma no mundo e precisa se manifestar – Porque tudo ou quase tudo quer existir.

Megalomania não tem relação somente com os projetos ambiciosos de líderes políticos, ditadores ou conquistadores, tem a ver com espasmos alucinantes de uma população de desejos inviabilizados. Tem a ver com o momento que o boi salta a cerca onde a boiada aguarda mansa o momento do abate, ou quando o pobre pôe colar de preto velho e dá futuro pra dama do asfalto, ou quando a estrupiada da esquina anuncia a participação em eventos importantes. Ela batida de asa de borboleta? Tem a ver com insubmissão ao destino minoritário, o destino apregoado pela televisão, pelas revistas de celebridades, pelas capas de jornais. Um lugar que só uns podem, outros não. Tem a ver também com quebra da linearidade de uma submissão compulsória, onde já se sabe o que esperar de uma mãe, de um homem velho, de uma dona de boutique, de um hacker.

Tampouco a Mitomania tem a ver só com a mentira! Onde anunciar um devaneio sem lugar instituído? Sem cinema, sem literatura, sem agenciamentos? Se for na esquina vira psicopatologia? Se for no bar vira alcolismo? Se for na escola vira aluno especial? Se for no facebook vira exibicionismo? Queremos ampliar os espaços de expressão das Megalomanias e Mitomanias escondidas! Escancará-las, fazê-las se tornar lugar comum. Tirar suas algemas e sua patologia, queremos todo mundo delirante, vivendo suas fantasias e ajudando-nos a resistir a essa massificação consumista de objetos, saúde, comportamento e desejos que nos submetemos.

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Se incomodou de fato com a Megalomania com letra maiúscula, aquela que aparece na wikipédia e é um transtorno psicológico definido por delírios e fantasias de poder, relevância ou onipotência. Incomodou profundamente pro fundamento da Megalomania de letra maiúscula ser caracterizada por uma exagerada auto-estima das pessoas nas suas crenças e/ou poderes porque sabia bem o que isso ia, pra onde queria dizer porque exagerada autoestima pode assim acabar, pode acabar também levando afoitos, levando a feitos, amortes, hospitais psiquiátricos, planos, realizações de planos, pode levar à dominação mundial, prisão, história da arte, História com H. Mas quem é você, nega, pra querer ficar sonhando assim, sua megalomania tendo fantasia de delírios de poder desviado se só quem pode ter fantasia de megalomania e poder é quem pode? Dito isso, o ridículo do grande desse outro fica enorme e dito. E que se chegue o nosso, que tem mais corpo. No ônibus, cursos de direito pra quem quer mais cidadania. Neste caso, o delírio não deixa de ser delírio pelo fato do conteúdo ter-se revelado posteriormente como verdadeiro. A saber: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Dessas, já não tem já não tem megalomanias sobrando em curso? Já não são megalomanias de dominação mundial e outros clichês, a coisa mesma dos maiores proprietários de terras? Que caralho é um monopólio nacional de sistemas de comunicação senão uma megalomania desinteressante, monológica, grotesca e, pior, realizada? E os grandes planos de ser potência mundial partindo do equívoco alheio é o que, meu bem?

Quando ouvimos essas, quando vivemos essas, quando se morre por essas, vale a pena parar e dar uma pensada em quais são as tantas e todas as outras megalomanias que estamos deixando de escutar e deixando de viver. Minha megalomania é que outras megalomanias sejam realidade, que se façam. Quais megalomanias patológicas que se recusam ao destino majoritário e se embrenham no desejo minoritário que não é pequeno mas é de desejar muito grande mas muito diferente e tanto para outros lados e que se desfazem em se saber apenas loucura e, tantas vezes, em se querer apenas pequeno? Não pode ser só à toa que mania de grandeza, que megalomania, que mitomania vão ser doença, ilusão e mentira quando quem é você pra pensar isso sozinho. Acontece que não estamos sozinhos e não temos medo porque somos maravilhosasmentes ridículas e cansamos das melhores e maiores grandiosidades de sempre, das melhores cidades, dos melhores coletivos do Brasil, achamos pouco. Deus é pouco. Eu quero é mais. Quero ser terremoto, quero acabar com a arte – nessa hora chove chuva de pétalas e flores roxas inteiras pra dentro da minha janela num vento mandado por grandes deusas e orixás –, quero ser uma transputa cultuada, quero ser desculturada em hoteis de luxo, quero por pra fuder sem medo de ninguém curtir mas todo mundo vai que eu sei, uma bruxa que faz coisas voarem pelos ares instantaneamente substituída de outras infinitas.

Muito do desejo parece nos empurrar ao Polishop, como disse o Jorge, mas não é tudo assim. Deixa o desejo chegar, deixa o desejo passar e sigamos juntos. Comprados ou não, podidos ou não, fodidos ou não, não precisamos lutar esse desejo, precisamos lutar por que venham muitos outros, muito além porque não se tem só três desejos, temos todos pra ter.

Queremos que os delírios voltem a ser perigosos!!! Nos ajudem a pensar, pois pensando aprendemos a achar mais saída para essa claustrofobia. Pensar pequeno, pensar através de projetos, pensar através do trabalho, pensar pequeno, pensar através do projetinho, do sexo que só se consegue bêbado no final de semana. Pensar pequenininho e chamar isso de micropolítica????!!!!! POUPE-NOS Dá-nos sua megalomania!!!!

Mande seu delírio para nós:

DELÍRIOS MEGALOMANÍACOS – PARTICIPE!

Envie o link de um vídeo de aproximadamente um minuto contando seus delírios megalomaníacos para o email megadelirios@gmail.com. O vídeo precisará estar disponível em alguma plataforma da internet (htt

ps://vimeo.com/
http://www.youtube.com/, http://archive.org/por exemplo) e, ao enviá-lo, você estará automaticamente autorizando sua publicação no blogwww.megadelirios.wordpress.com, onde serão reunidos todos os vídeos que nos forem enviados, constituindo um inventário megalomaníaco de delírios. Sonhe grande.

 

Texto sobre tecnomagia de Pedro Soler

Extracto de un texto de Pedro Soler encargado para publicación (en español) en el libro de la exposición “Cinco variaciones de circunstancias fónicas y una pausa” de Tania Candiani, Centro de Arte Alameda, Mexico DF. Febrero 2013 .http://cincovariaciones.com/

Extract of a text commisioned for publication in the book of the exposición “Cinco variaciones de circunstancias fónicas y una pausa”
de Tania Candiani, Centro de Arte Alameda, Mexico DF. Febrero 2013 . http://cincovariaciones.com/
Technology is the concretisation of the visions of shamans and magicians. Everything we use today was accomplished, imagined or dreamed, in ancient times. Perhaps it is only the future that has resisted, so far, the capacities of technology – although the capacity of super computers to model complex phenomena brings us closer to that most archetypal of shamanic capacities.

We can fly like eagles, see like out of body experience (satelites, helicopter cams), see like a lynx (crittercams), speak at a distance, move objects from afar, access the combined knowledge of generations, freeze time and rewind (photo, video). The ability to see at a distance is indicated in the Popol Vuh , the epic of the Mayan civilisation, as belonging to the first humans :

“Perfect was their sight, and perfect was their knowledge of everything beneath the sky. If they gazed about them, looking intently, they beheld that which was in the sky and that which was upon the earth. Instantly they were able to behold everything. They did not have to walk to see all that existed beneath the sky. They merely saw it from wherever they were. Thus their knowledge became full. Their vision passed beyond the trees and the rocks, beyond the lakes and the seas, beyond the mountains and the valleys.” (1)

Thelma Moss who worked with the Australian Aborigenes in the 70s tells us that they used telepathy as we use the telephone and, as she writes, “as mysterious is the telephone for them as telepathy for us”. She says that the hunters returning from their hunt advise those who have stayed behind to start preparing for the feast. An article in the Melbourne Argus from 1931 reports an Aborigene describing the method for telepathic communication. This shouldnt come as a surprise to most of us, we habitually feel the presence of people or, mundanely, we are thinking of someone when they call.

“When an aborigine wishes to appeal for help or to send any other message to another member of his, tribe he first attracts attention by a smoke signal. said Mr. Uninpon ‘ The man who sees the smoke signal then strives to do a very difficult thing-to clear his mind of every thought and so to become fully receptive to messages sent to him. The man who made the smoke signal then concentrates his thoughts on the desired message and soon it is received and re-transmitted to the rest or the tribe. At night when a smoke signal would not be seen the aboriginal waits until the person he wants to communicate with will most likely have lost consciousness in sleep. His subconscious mind is then fully awake and it will receive the message.” (2)

Semana Experimental Urbana – SEU – Porto Alegre – 07-13 novembro/2012

 

Estaremos participando com a Performance da Mala – Para saber mais vá ao site do SEU - http://semanaexperimentalurbana.com/selecionados/

 

26º Festival de Arte Cidade de Porto Alegre

Reblogged from ATELIER LIVRE:

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Será realizado no Atelier Livre da Secretaria Municipal da Cultura, entre os dias 5 a 9 de novembro, o 26º Festival de Arte Cidade de Porto Alegre.

Este é um período intensivo dedicado ao fazer artístico e um espaço que se abre para intercâmbio. com artistas, pensadores e comunidade.

Serão realizadas oficinas, performances, lançamentos de livros, encontros com artistas que falarão sobre sua obra e seu processo criativo.

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Des-Carta da Rede Metareciclagem para o Ministério da Cultura e Outros Ministérios também

 

PARA LER TODA A CARTA ACESSE ESSE LINK: http://mutgamb.org/descarta/Epistola-Digital-Descentralizada

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