Lucy ‘e da Etiopia, quem ‘e o bastardo?
04 Feb 2012 2 Comments
Pode ser lido diretamente no Mutirao da Gambiarra – http://mutgamb.org/blog/Lucy-e-da-Etiopia-%E2%80%93-quem-e-bastardo
Aqui fotos com legenda: https://picasaweb.google.com/108094216176169619701/AnarqueologiaNaEtiopia#
Salomão e a rainha de Sabá que história bonita. A rainha preta, atrevida, de gestos exuberantes. Ele profético, galinha, exotérico, prenhe de duas ou três civilizações epidêmicas. A promessa na cama: honra esse acasalamento Salomão, ou essa foda sera em vão? Esse não foi o princípio, mas a rainha voltou grávida de Jerusalém, e isso sim foi um escândalo inaugural, que desviou o fluxo do que hoje chamamos Etiópia para lados não previstos. Ou teria coincidido a fertilidade da rainha com um plano bem armado? Seja como for Etiópia fundou nessa gravidez o pilar da sua história. Nao é assim que comecam as histórias bastardas?
A Etiópia é a latrina da história branca. O resto da África é outra historia: pagã, primitiva, venenosa – o lugar de onde as bruxas nunca deveriam ter saido. A da Etiópia é a historia monoteísta, cristã, devota, vestida, cheia de igrejas, santos, anjos, altares, reis, conquistas, cruzadas, luta contra os mouros, orgulho étnico, obediência e apego as tábuas da lei, montanhas sagradas, peregrinações à terra santa, páscoas, natais, epifanias. Mas é história negra. E no escuro, todas as datas são pardas – não da pra ver mais do que lendas, versões, boatos. Salomão negro? Davi mulato? Abraão retinto? A Etiópia pega a Bíblia, que parecia santa, branquíssima, e a cobre com as imagens da virgem negra, do cristo de lábios grossos, da crucificação em uma paisagem africana. Rezam missas em igrejas, mas ao lado da mirra e do incenso queimam a erva de Salomão, um punhado de canabis que deixa todos mais próximos do céu. Para a história branca, um céu inventado, inmoderno, incivilizado, longe dos fatos, perto das brumas. Era pra jogar estas brumas todas privada abaixo e puxar a descarga. (O que é a descarga? Os batalhões de turistas que chegam lá todos os dias para tornar o país em terra exótica, e depois em curiosidade e depois os etíopes em garcons, hoteleiros, guias turísticos e nativos exibicionistas que passam a ser contrapartida do preço da excursão.) Mas a descarga vaza – na África as tecnologias emperram, as instituições desandam, as certezas murcham – e vaza por todos os lados. Aparecem na Jamaica uns devotos do último rei da Etiópia, um homem que se chamava Ras Tafari. Eles espalham a erva de Salomão, os dreadlocks no cabelo negro, os livros sagrados dos Etíopes escuros e temperam isso com reggae. E negro, é lenda – mas as lendas resistem aos regimes da história oficial.
Quando o jovem Menelik foi visitar o pai Salomão, este pediu para que ficasse em Jerusalém, mas ele já sabia que não abriria mão do seu reinado, assim como sua mãe sempre fincou o pé na África. Com o altar, carregou consigo as tábuas da Lei de Moisés, a arca sagrada, que até hoje é motivo de orgulho e culto da igreja, e um dos segredos da áura sagrada de todo o país. Junto com a arca veio mais 1000 pessoas, que instauraram seus princípios judaicos por onde chegavam. Essa pode ter sido a principal ligação da Etiópia com o monoteísmo. Mas não só isso. Não se sabe ao certo o que aconteceu com todos os templos pagãos, alguns sobreviveram, com seus locais de sacrifício, deuses e o sol e a lua desenhados por toda parte. Sendo filho de Salomão não se esperaria esperaria que tolhesse qualquer misticismo. Gostava das brumas. Ele viu em Jerusalém como se fabrica sagrados. Sacrogênese salomônica. Começou a fazer de Axum sua Jerusalém: obeliscos, arca sagrada, um caminho de pedras pela montanha até o palácio da matriarca. Menelik fez da Etiópia um celeiro de religiões – trouxe isso com o pó de Jerusalém. Seus herdeiros foram peregrinos, teocratas, guardiões das tribos de Israel. De onde mais vieram esstas tribos? Dos filhos de Jacó que foram para a África. Ou então como? Do rio Nilo, alguns do Cairo, outros de Gize, alguns do Sudão, outros de Gondar, da beira do lago Tana onde nasce o Nilo azul. Quando as versões heterodoxas levantam o peito e não aceitam serem corrigidas, a história fica caudalosa – cheia de lendas verdadeiras demais para não serem ficção. Canaã era um posto avançado dos povos de Israel no Nilo. Foi ali que eles encontraram o babilônico Abraão inconformado com os deuses serem inanimados. Foi ali que eles o acolheram monoteus, pastores, devotos da palavra escrita. E quiseram fazer uma Jerusalém por lá – como Axum, como Lalibela, como Shashamane, a terra sagrada siônica dos rastafaris, concedida pelo rei messias dos etíopes, o Ras Tafari ele mesmo, que adotou o nome de Haile Selassie. É que os etíopes compartilham o segredo da sacrogênese. Como Haile Selassie se tornou Jesus Cristo é difícil de dizer exatamente. Mas o negro baixinho e galante tinha idéias brihantes e se comportava como um verdadeiro Messias, fazendo coisas que pareciam milagres, como abolir a escravidão (oficial), reconhecer a nacionalidade dos descendentes de escravos etíopes mandados para o Caribe,ou ainda, fazer sucesso nos EUA. Heile Selassie era o Leão da tribo de Judá, a reencarnação de Jesus, e Shashamane entre uma baforada e outra de canabis sativa, cultua sua imagem de filho do Divino.
Nas épocas de Timkat (epifania) toda esses reis, monges, rainhas e profanos do norte ao sul do país fazem procissão com a Arca Sagrada (uma cópia), entre batidas de tambores e toque de trombetas comemoram o batismo de Jesus, batizando os novos fiéis e fazendo vigílias de uma semana, onde a comunidade local muda seu cotidiano e vai fazer orações cerca dos tanques de batismo, nos espaços públicos das cidades. As ruas viram rios de gente, nas cidades secas, como Lalibela durante as epifanias de janeiro, não há outro rio. Ninguém reza em uníssono, ninguém canta em monocórdio, o espírito carnavalesco entra na procissão, mesmo que dissimulado, esta maneira africana de tornar quem passa, parte. Cada um traz sua melhor roupa, seu melhor penteado, suas melhores tranças, suas melhores amarras, suas melhores mandingas, suas melhores antenas.
Os etíopes são fios soltos na conexão com os aléns – e com os outroras. O deserto dá sede, mas tambem dá frio e uma certa obcessão. Com panos brancos feitos de algodão e poeira eles atravessam montanhas, estradas, rios, carregando nas costas, nas mulas, nos camelos suas necessidades. Como no tempo da rainha de Sabá. Tal qual. Nas ocas de barro e bambu comem suas injeras, esvaziam os úberes das cabras e depois tomam a estrada carregando milho seco, tef, barris de água, algodão. Estão sempre carregados. Nasceram para carregar. Isso dá um ar cansado, mas também forte e alongado. Transmitem carga. As mulheres vão ao chão para colher ervas daninhas do meio da plantação, sem sequer dobrar o joelho, e ainda com o filho pequeno atado às costas. E tomam as estradas, as estradas mesmo pavimentadas são trilhas dos andarilhos, já que os carros pedem licença buzinando e já que a maioria deles está longe de ter um carro, ou computador, só celular quase todo mundo tem, a única revolução industrial óbvia, e radinhos a pilha. Não se ve facilmente os trabalhadores vindo da fábrica, nem muito lixo eletronico. Etiópia vai passar diretamente para o século XXI sem esteira nem uniforme? A estrada serpenteia montanha abaixo, de um vilarejo até o rio que na seca seca. A cada hora do dia, centenas de pessoas percorrem o asfalto ou atalham pelos desfiladeiros. São umas cenas tão modernas quanto as dos homens de terno circulando pelas bolsas de valores mas parecem bíblicas, arcaicas, pre-evangélicas. Antes de Menelik, depois de Menelik, as pontas se amarram, afinal os fios estão soltos. Os etíopes, ao contrário de tantos brancos, não consideram que eles sejam mais modernos. Percorrem suas estradas, correm para cima e para baixo. São maratonistas. Ou então não é no terreno que eles aprenderam a correr, é no sangue bastardo, eclético, devoto e desviado: não são os Jamaicanos os que correm melhor as pequenas distâncias?
Os Jamaicanos descendentes dos escravos, olham para a Etiópia como quem olha para sua história. Eles vieram de lá. História saqueada, história escravizada. Qual é a história dos escravos no Brasil? São as brumas, as correntes caudalosas de versões entrelaçadas, sem pé nem cabeça, já que o pé e a cabeça são brancos e modernos. Não são como os imigrantes europeus, cheios de genealogias, de paisagens, de expressões – pensem nos imigrantes europeus que nem soubessem a diferença entre as tribos holandesas e as tribos polonesas, nem soubessem que língua falam, nem soubessem que ares trazem nas entranhas, que miasmas habitam suas juntas, que gosto ardia na boca de suas mães quando elas os pariram. Arrancados os miasmas dos africanos, escravizados seus músculos, eles deveriam ficar apenas pretos, sem cor – mas não ficam, ficam lenda. Há mais verdades de carne e osso do que pensa o vão ordenamento genealógico. Eles dançam, eles cultivam lendas com baobas, com flamboiants, com savanas e longas estepes. Desistórias, breves, abruptas, repetidas. Não desistem. Contam as favas a contrapelo. Brumas, névoas, uma falha geologica. E, no mesmo continente destas alucinações, a Etiópia.
As estradas que levam ao sul vão ao encontro dos povos tradicionais. Com suas Kalashnikovs, seus ares tribais, suas ocas de barro e bambu. Assim que vivem. Pintam rosto e corpo para os turistas pagarem para as fotos. Não pagam impostos e não sabem do que se trata quando lhes perguntam sobre a Etiópia. Não se sentem etíopes, sentem-se outra coisa, fronteira não foi ideia deles, apesar de saberem que atravessar a fronteira pode lhes causar danos. Suportam a quantidade de turistas que lhes vão ver todos os dias, mas não por muito tempo. Logo fecham a cara e produzem alguma cena agressiva, que afasta as visitas. Prevêem que o barulho dos motores não representa somente uma fase, mas uma permanência e que o barulho veio para ficar. Se ouriçam. Como concatenar uma forma de vida gregária na savana quando sabes que és tu o objeto visado? Tu a girafa, o elefante, a fera? Tu, o sobrevivente que por tanto tempo conseguiu fugir das armadilhas brancas, do tráfico de escravos, das durezas da seca, das ameaças da floresta, das enchentes do rio, das tribos inimigas, das seduções da cidade, de repente tornado fera enjaulada? Tua aldeia cercada, tua casa entretenimento? Que vingança se perpetraria ai? Qual reação possível quando o objeto da tua hostilidade já se tornou teu vício, tua sobrevivência e teu cotidiano? Cobrar pelas fotos? Ser hostil? Acatar a transformação impassivelmente? Não há nada de passível naquelas tribos. Apesar da simpatia e da espontaneidade, vê-se tambem homens e mulheres acuados, que sabem mais que todos aventureiros, que chegaram num limite. Escuta, puxaram a descarga – para onde vazar? Como resistir à fúria branca que transforma tribos com céu, terra e tudo em museu, em parque temático, em jardim de curiosidades,? Os hamers pulam em cima dos touros para transitarem através de seu ritual de maturidade: seguem pulando do mesmo jeito há algumas gerações talvez, mas agora convocam menos espíritos animais, convocam turistas. Já não serve mais mover as montanhas, os turistas atravessam todas elas para tirar uma fotografia, para seguir uma recomendação do seu Lonely Planet. A terra empoeirada de brumas é destino turístico. O mundo por fim descobre a história da Etiópia. Esse reconhecimento é muito importante, é o desbloqueio de um conhecimento humano a séculos ignorado pelos historiadores, pelos brancos, pelos oficiais. Mas esse reconhecimento tem um alto preco. O que sobra pra Etiópia?
Sobram os chineses. Projetaram, financiaram e puseram tijolo sobre tijolo de um colosso arquitetônico no centro de Addis Abebe dedicado a União Africana. Depois de tantos anos de negociação de Heile Selassie com o império americano, são os chineses que vão reconhecer e apostar na capital da Etiópia como capital diplomática da África. Há controversias, mas o investimento foi feito, grandiosamente. Também o novo parceiro se encarregou das estradas e de outras construções, trazendo para os limites territoriais da antiga Abissínia milhares de trabalhadores amarelos, já bem acostumados com os resultados da revolução industrial. São os novos colonos, que ao contrário dos colonos brancos que gostavam de tracar mapas na África e dividi-las entre si, os amarelos promovem a União Africana. Mesmo na África sem Khadafi. Pretos e amarelos – eles sabem que os brancos ainda pegam, matam e comem. Tiraram Khadafi da cena quando ele começou a incomodar demais a Europa em desfiladeiro com sua megalomania. A África tem recursos: água, petróleo, urânio, diamante, ouro. Só não cabe direito na história oficial. Seus recursos naturais são alvo de disputas dos velhos e dos novos impérios. Poderia a União Africana se fortalecer por si mesma, ou só vai ficar ensaiando?
Uma história bastarda, de latrina e de descarga da humanidade branca sobrevive, fermenta, se fortalece; atentemos nos seus próximos passos, no seu projeto de desenvolvimento industrial tardio, vejamos se repete as mesmas idiossincrasias dos referentes brancos e amarelos ou se toma outro rumo devido sua inabilidade para cumprir com as normas de segurança dos corpos Ford. Tem dias que o refrigerador não funciona, a luz acaba, o telefone emudece e a descarga vaza. A África é bumerang lançado. A Etiópia lançou os primeiros exemplares da espécie, quem é o bastardo?
sobre a maternidade com Maria Llopis
01 Feb 2012 Leave a Comment
Fomos passar o ano novo 2011/12 na casa da Maria Llopis em Benicassin. Num desses dias depois de ver um
filme do Francois Ozun, Le Refuge -2009, ela ficou meio indignada, entao aproveitamos o momento para gravar
essa entrevista
Meus dias na Espanha/Italia com Diana Torres, a pornoterrorista nov/dec/2011
31 Jan 2012 Leave a Comment
Uma bandeira negra que pindurou na entrada da sua casa que diz: “vinganca”. Uma maquina de guerra, criativa, engracada, potente, sexual, exuberante, excentrica, essa ‘e a impressao que tive da Diana, convivendo com ela quase 40 dias. Fui para sua casa para traduzirmos os nossos livros “pornoterrorismo” e “dominios do demasiado”. Enquanto traduziamos nosso livro passei por um periodo de reincidencia. Ja fazia quatro meses que nao fumava, bebia ou comia carne e estava malhando muito. Mas ao chegar na casa dela consegui manter essa performance somente uma semana. Eu dormia e acordava cedo, ela dormia e acordava tarde, eu parecia uma santa, isso comecou ficar mal pra minha “fama” e em algum momento de turbulencia nas redes do submidialogia e desencontros com Diana, resolvi ceder a tentacao e cai de boca em sua rotina maluca. Dai que nos grudamos, acordavamos juntas, dormiamos juntas e tinhamos varios ataques de hilariedade. Ficavamos horas trocando links, postando, dancando e encontrando as posporno todas. Tomando varios tragos, fizemos varios pequenos filminhos que vou postando aos poucos.
Quando fomos para a Italia, as coisas se transformaram um pouco, ja que haviam muitas pessoas que a queriam por perto, e a concentracao para traduzir os livros que tinhamos conquistado em Barcelona se esvaiu, fomos cooptadas pelo mundo do SM italiano, festas de DS e masmorras de dominas profissionais. Aprendi sobretudo que na Italia ‘e muito forte o vinculo da submissao com as praticas cristas, sendo que as dominas falam que varios clientes pedem fantasias de maria madalena, ave Maria, ou Santa Tereza D’avila pedindo para serem punidos por seus pecados, ou que lhes sejam permitido profunda adoracao. Geralmente elas ganham bem, e tem que ter um certo estudo teologico para dar contas das fantasias e fetiches. Com elas fui a algumas festas comuns com espacos adequados para espancamento, tortura, trancafiamento e escarificacoes. Foi interessante conhecer esse mundo na Italia e compreender seus entrelecamentos religiosos, ainda que seja obvio que nao necessariamente todos utilizem essas praticas atrelando-as ao cristianismo ou facismo. Tambem conheci o movimento queer Italiano, num festival de cinema queer em Roma Agender e uma oficina de ejaculacao feminina dada pela Diana em Bologna. Foi interessante ter um panorama queer pos porno da Italia, apesar de ter sido pouco tempo e nao ter conhecido varias pessoas e projetos, mas entendi um pouco por onde anda as discussoes feministas, os filmes que importam e o tipo de oficina que precisam, assim como perceber um pouco da cena da bodymodification. Tambem fomos ate a micro capela da Papessa Giovanna, onde fizemos um videozinho sobre a historia dela.
Quando voltamos para casa de Diana em Barcelona, ela e Flori organizaram uma sexy party, que foi muito divertida. Varias pos-porno vieram, elas encheram a banheira de agua quente com lubrificantes em po para vacas, e foi um dos pontos fortes da noite, ir ate a banheira pegar lubrificante, ou se banhar ou trepar na banheira de lubrificantes. A festa reunia todos elementos do pos-porno, desginitalizacao – tirar a genital do centro sexual, sensualizar outros orgaos do corpo, trocas de papeis de generos, sadismo, masoquismo, bondage, perfuracoes e dominacao, alem ‘e claro de luzes, musica, drinks, etc. Fiquei meio timida ao ver as performances das mocas, ja que pareciam ser muito diretas e saberem bem dos seus gostos, alem de ter um repertorio grandissimo para o prazer.
Essas sex parties ‘e ativismo sexual, coloca a maquina para funcionar, para se exercitar, sexualidade e afeto circulam com mais liberdade. Expandir o desejo e suas formalidades. Essa festa foi a retomada de uma forca centripeta que as vezes se esquece pela burocratizacao das coisas, inclusive na vida das pos porno. Uma infinidade de objetos foram utilizados, desde agulhas, saltos, chicotes, dildos inflamaveis, etc.
Como o afeto que circula pela casa da Diana ‘e muito voltado ao lesbianismo, essas orgias sao mais femininas, alem de feministas. O papel dos homens foi muito no sentido masoquista, de lamber sapatos, implorar por afeto ou atencao, pedir por dominacao, ou que lhes mijassem ou surrassem. Um encontro de dominadoras e dominados, que nada tem a ver com o modelo fascista do Passoline no Sodoma, mas que atende o desejo dessas figuras que querem sentir prazeres nao habituais em suas vidas sexuais cotidianas.
Aprendi muitas coisas com essas pessoas criativas e divertidas, que usam suas sexualidades como processo de descoberta de si e que generosamente espalham esse virus, contagiam. Fiquei um pouco confusa com minha propria sexualidade, nao sabendo bem como agir ou sentir meu proprio prazer, ‘e um periodo de latencia, de descoberta. Na verdade descobri meu fetiche com as cameras e maquinas, me exitava ficar lhes filmando, colocando som, video ou ainda me olhando no espelho, excitada com tudo que estava vendo e me vendo desabrochar pra um desejo novo, que ainda nao sei identificar exatamente. Foi uma experiencia excitante e afetivamente deliciosa ter passado esse tempo em Barcelona conhecendo essas pessoas que levam esse assunto na borda de uma radicalidade profunda, importante, absolutamente necessaria.
Por fim terminamos nosso trabalho juntas, nao acabamos de traduzir mas fomos grande parte do livro.
Para saber mais sobre o trabalho dela, procure http://pornoterrorismo.com
Muito desses lugares nao foi possivel tirar fotos,
mas tem algumas aqui:
Texto sobre os Riots – para revista Cadernos de Subjetividade
25 Dec 2011 Leave a Comment
in textos e pdfs da fabiborges
FOGOS DE UMAS NOITES DE VERÃO
Por Fabiane Borges e Hilan Bensusan *
Nas ruas, sensação de irrealidade ao mesmo tempo excesso de presença. A fuga. Agora. Left, left, Ally road, to the Ally road. Caminha, dispersa, sirene distante. Dá tempo de botar fogo em mais um carro. Desarmados, o fogo é a única saída. O fogo é barulho e espetáculo, assusta e encanta, pequenas multidões em volta das fogueiras de carros. Quebra o vidro, corre, arromba a loja, a TV plasma bem grande. Foda-se! Os ratos e a polícia. Ambos vigiados, os legítimos e os bastardos, os filhos da rainha e os filhos da puta.
A pirotecnia na Inglaterra começou com a morte de Mark Duggan, negro de origem indiana morto em circunstancias semelhantes a Jean Charles, o brasileiro morto pela polícia em 2005. Ambos foram baleados em situação de fuga. Mark era um possível participante de uma gang chamada “Star Gang” no norte de Londres, em Tottenhan, e ao que tudo indica, seus parceiros sairam às ruas para vingar sua morte, colocando fogo nos carros da polícia, mas o que aconteceu em seguida foi a insurgência de muitos outros grupos, por muitos outros lugares do pais.
Cuidado: inflamável
Distúrbios espalhados pelas ruas de um país não são feitos somente de vingança específica a uma situação, ou só de racismo, ou pauperização compulsória, ou ainda perda de direitos e policiamento arbitrário, mas também da inflamabilidade das pessoas. Palha seca alastra o fogo! Nas revoltas que se espalharam a partir de Tottenham no início de agosto, cada insubordinação era combustível para a seguinte. Por alguns dias, parecia que a coisa se alastraria por todas as ruas do país até tornar a Downing Street (rua dos altos nomes do governo britânico) irrelevante.
Moda: hoodies e burqas
As câmeras de vigilância captam hoodies, que quase como burqas, viram uniformes que apagam os traços reconhecíveis e niqabs protegendo as identidades faciais. A influência estética nos rioters mistura hiphop, blackblock e gangster culture. São em frente a essas câmeras que os bandos de moços encapuzados e moças de mini saia também emcapuzadas fazem suas ações diretas com estopins, isqueiros e latas de lixos. São capazes de arrombar, queimar e ocupar as ruas, mesmo que por um instante. Os capuzes viram um uniforme improvisado, mas garante um espaço privado. A privacidade dos hoodies – ou da burqa, já que isso também marca a onda de chauvinismos que varre a Europa – contra a privacidade das contas bancárias, das lojas vigiadas pela polícia, das câmeras de segurança à serviço dos fluxos de capital. Para nós, transeuntes na madrugada entre Graham Road e Clapton Square, era uma revolução: o assalto dos capuzes pretos parecia um turbilhão, ainda que rarefeito, indomável.
Estado Revoluciónário
Desde que chegamos em Londres, em novembro de 2010 presenciamos inúmeras manifestações nas ruas, as pessoas estavam em estado de revolta, e diziam que desde os anos 2002/3, quando das manifestações contra a adesão do governo britânico à guerra contra o Iraque, não viam tanta mobilização. Durante praticamente todas essas passeatas houveram manifestações violentas, e desde então já se falava da presença explosiva de jovens negros da periferia, que como muitos estudantes, colocaram fogo em carros, ocuparam prédios, resistiram à polícia e mostraram seu repúdio às novas leis. Alguns amigos ativistas comentavam curiosos sobre a presença dessa juventude secundarista, festiva e aguerrida nas passeatas, mas não sabiam muito bem identificar qual era seu papel dentro do movimento. Muitos desses jovens estavam nas manifestações ocasionadas pela morte de Mark Duggan. Certamente a influência revolucionária não só vem das manifestações organizadas contra os cortes e as ações diretas dos ativistas, como também das insurgências da Tunísia, Egito, Síria, Libia, etc. A revolução é um estado como diz a ativista egípcia Sanaa Seif (17 anos)1. Nervo solto, as vezes não se pode ter a paciência dos ativistas profissionais, e não se quer perder tempo com reuniões incessantes, – quer-se pirofagia, e manifestação ontológica da resistência ao controle. A articulação é espontânea, não existe projeto (aparentemente), nem líder político. São gangs revoltadas. Ou estado de gang: agrupamento e proteção. Elas se organizam em regime de rede por meio de celular e bluetooth. A liderança é difusa – há uma presença importante de meninas. Mas estão sendo pegos como ratos. E como bodes espiatórios. Basta ter sido capturado pelas cameras de vigilância, ou serem vistos observando as ações, que já podem ser incriminados, uma forma de manter as pessoas em casa, medo de serem acusadas e condenadas culpadas.
Nós não temos dinheiro
O fogo é indiscriminado, os ataques destinados ao que era possível – inflamável – e não ao lugar simbólico por excelência. Acender a cidade, em protesto. Fazer queimar o que podem. “Nós queremos mostrar aos ricos que nós fazemos o que queremos” – diz uma riot girrrrrrl. E diziam assim: nós não temos dinheiro. E as pessoas criticam isso por não ser razão suficiente para saque. Mas isso é a melhor razão possível, por que exatamente eles não tem dinheiro? Eles apontam justamente para o problema: PARA ELES NÃO TEM DINHEIRO!!
Os insurgidos, – indignados mas não do tipo dos que acampam, mas dos que fazem a ação direta – eram o Outro da classe média adulta e responsável: moleques, imigrantes, negros e pobres. Muitos deles se enquadravam no que nos últimos anos cada vez mais se chama de chav. A palavra é ela mesma uma lata de lixo, onde cabem muitas coisas. Muitos dizem que ela está associada aos últimos inquilinos das council houses, casas alugadas pelo governo, na sua maioria construídas entre os anos 30 e 70: dizem que chav é um acrônimo para Council House and Violent. Mas os etimólogos dizem que a palavra, dicionarizada recentemente, vem do termo cigano Chavi, para menino ou pirralho. A palavra é derrogatória e designa juventude transviada, pobre e que não se veste, não fala e não se enquadra nas imagens de classe média. Muitas vezes chav é usado também para os adultos, que se vestem fora dos gostos padrão e que são dejetos da cultura média. Chav é o imigrante, mas cada vez mais é também o branco que não venceu na vida, o looser, o white trash, como se diz nos Estados Unidos. É o lixo, aqueles que não se enquadraram no esquema de vida da classe média de aspirar um bom emprego, a casa própria e uma família funcional. Owen Jones, em um livro recente (Chavs – the Demonisation of the Working Class, Verso, 2011) aponta para a crescente popularização do termo como uma manifestação de classismo direcionada ao que sobrou da classe operária. Classismo e xenofobia imbrincados em uma palavra. Os rioters de agosto – se bem que menos brancos que o estereótipo corrente de um chav – provém da mesma lata de lixo.
O ambiente Breivic
O estado de fúria despertou os medos mais constantes e mais acalentados na classe média local. Os saqueadores insuflados enfrentam com violência o controle da polícia britânica. As pessoas morrem de medo, tem insônia, pensam que as gangs de negros, de chavs e de muçulmanos vão destruir suas casas e suas vidas. Olham a BBC e tremem no escuro. Não saem as ruas pela noite, e ficam vidradas na TV e na net. Tem medo que os negros tomem o poder, pensam que são todos mulçumanos, terroristas, confundem fatos históricos, revoluções geopolíticas. Há um medo geral de que os imigrantes se revoltem – isso é parte do imaginário dos que se orgulham de suas origens britânicas. Há um ambiente de guerra de civilizações em que os valores brancos são colocada em questão por um pobrerio feio, mal-vestido, inconveniente e chav. E então a polícia pode dizer que são todos bandidos, ou filhos de famílias de bandidos, famílias desfuncionais de pobres porque criminosos, pessoas que estão não apenas quebradas mas também doentes, como diagnostica o primeiro minsitro. E a maior parte da imprensa pode dizer que trata-se de um estado de coisas promovido pela falência dos valores tradicionais de família, meritocracia, respeito à propriedade e à ordem (como faz a colunista Melanie Phillips no Daily Mail). Há uma ressonância no manifesto de Breivic (o norueguês que saiu matando jovens em um acampamento em julho de 2011) do discurso das instituições de proteção à cultura e aos hábitos ingleses (como a EDL, English Defense League), instituições que crescem em atenção e na presença na agenda das discussões sobre imigração.
Onda gigantesca de crimes comuns?
Semanas depois dos distúrbios, a batalha é acerca do caráter político dos eventos. O governo e a polícia tendem a considerar que se tratava de criminalidade, de crimes comuns, motivados pela falência moral da sociedade alimentada de benefícios e de concessões a famílias desfuncionais. Não se trata de reação à violência policial e à pauperização crescente das periferias, diz o governo, mas apenas a consequência de uma permissividade generalizada que foi instituída por anos de políticas concessivas e tolerantes com os preguiçosos, com as mães adolescentes e com os imigrantes criminosos. A resposta, para eles, é mais endurecimento: menos bem-estar social, mais rigor com a imigração. Cameron anuncia que a culpa é da brandura na aplicação das leis acerca da ordem pública que gerou a onda gigantesca e sem precedência de crimes comuns. Mas o que são crimes comuns? São como os crimes que ecoam Paz. Justiça. Liberdade. a partir da cela de Rogério Lemgruber do Comando Vermelho na Ilha Grande?
Blame the tories?
Por outro lado, as manifestações de protesto à reação da mídia e do governo aos rioters incriminados (como a marcha que participamos em 13 de agosto de Dalston, Hackney a Tottenham, ver http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/13/hackney-last-days-082011/) procuram politizar os saques. Um dos slogans: culpem os Tories (o partido Conservador de Cameron) e nao os nossos filhos. Outro: culpem os bancos e não os nossos filhos. A ideia é culpar o governo, os cortes, o cinturão de proteção aos banqueiros, o racismo da polícia. Se houvessem três vezes mais pessoas nas ruas, seria impossível apresentar tudo como “uma onda de crimes em proporções gigantescas”. A dureza da reação da polícia – com o parlamento permitindo uma gradativa militarização da polícia britânica – mostra a força da insurreição. Porém esta voz é cada vez menos ouvida agora nos meios de comunicação que dão todo os dias espaço para o vocabulário do crime organizado, das prisões e das punições; falam de riot thugs (arruaceiros), de criminosos e de looters (saqueadores).
Os riots que vêm
As marchas mesmo não causam maior transtorno, a polícia as acompanha de perto, passo a passo. A eficácia como protesto de marchas assim é limitada, já que elas não podem atacar a estrutura de tomada de decisões e são facilmente apropriadas pelo bipartidarismo compulsório no pais.
Temos a impressao, dado o triunfo do governo nesses dias que se seguem aos distúrbios e a decepção de muitos ativistas, de que o governo e a ordem terminaram fazendo ponto. O governo conseguiu reunir apoio para suas medidas de segurança e ordem e de estender este apoio aos cortes nos benefícios – ja que o pobrerio é todo delinqüente mesmo… Mas as conseqüências das suas políticas ainda serão sentidas em muitas partes do pais e mais tumultos, eles sabem, virão.
Esquizotrans – http://esquizotrans.wordpress.com -
Fabiane Borges é psicóloga, ensaísta, gosta de performance, escreveu “Domínios do Demasiado” Ed. Hucitec 2010 e o livro “Breviário de Pornografia Esquizotrans” Ed. Ex Libris 2010, tem tentado tirar som dos próprios músculos e ficado perplexa diante da instabilidade de tudo. Faz doutorado em tecnoxamanismo, no nucleo de subjetividade, PUC-SP
Hilan Bensusan, Lê tarôt de animais, escreveu “Breviário de Pornografia Esquizotrans” Ed. Ex Libris 2010, e o livro Excessos e Excessões, Ed. Idéias e Letras 2008, ensina metafísica e anarqueologia na UNB – Universidade de Brasilia, gosta do fogo quando esfria, e prefere ganhar meias calças coloridas de presente.
Mendigos, piratas, videntes – um texto que se desdobra,
25 Dec 2011 Leave a Comment
in textos e pdfs da fabiborges
Texto sobre cultura digital no Brasil, condicao de mendicancia via editais e pedidos de verba,
sobre tecnoxamanismo, etc.
O texto esta disponivel aqui: mendigos piratas videntes-fabiborges-thiago novaes
Cristina Ribas deu esse texto para seus alunos em Artes Visuais na UERJ, pediu para que escrevessem textos sobre esse texto, sobre o que lhes suscitava, a resposta esta aqui:
Mendigo, por Barbara Bandini
Mendigo:
João Da Silva: Advogado, 56 anos, trabalha atualmente na DIC – defesa dos Interesses da Coletividade e a mais de 20 anos esta submerso em burocracia e interesses obscuros. Hoje como presidente deste grupo praticamente já se esqueceu do seu real significado/objetivo, ele gosta de estar sempre na liderança dos outros grupos, garantindo assim um maior apoio financeiro para seus projetos que já não condizem mais com o que foi outrora. Seus projetos agora tem outras prioridades, tem que atender além dos muitos interesses dos patrocinadores o de promover ainda mais o nome de sua “empresa” garantindo reconhecimento e popularidade para a mesma, para que assim esta possa estar sempre a frente, sempre com poder politico para promover mais projetos, projetos esses que perderam grande parte do seu significado exatamente por agora atenderem a interesses não mais em prol da coletividade mais a favor de uma minoria privilegiada que sempre controlou tudo e que fará de tudo para que continuar assim, abrindo mão do minimo possível para agradar o povo e se manter no poder.
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Por BIANCA LASSÉ ARAÚJO
REDAÇÃO SOBRE O TEXTO “MENDIGOS PIRATAS VIDENTES”
O PIRATA
Gustavo era estudante do ensino médio quando começou a participar do movimento estudantil através do grêmio de que fazia parte.
No início, ele acreditava que poderia transformar as coisas através de sua ação, entretanto, o tempo deixou tudo mais claro e ele começou a perceber que no movimento estudantil havia mentiras e acordos em troca de favores.
Mesmo não concordando com algumas coisas, ele foi ficando quieto, afinal, ele também fazia parte do movimento. E toda a vontade de lutar pelo bem coletivo foi se esvaindo. E assim, começou a ficar envolvido com lutas pelo poder.
Enquanto lutava por um cargo no movimento, seus discursos e seu modo de agir foram se modificando. Tornara-se egoísta, uma pessoa individualista e inconfiável pois migrava para o lado que fosse melhor a seus interesses. Foi afetado pela ganância, aliando-se a qualquer um que pudesse trazer mais lucro e poder.
Gustavo tinha a aparência de uma pessoa comum, diferente daqueles homens barbudos de cabelos grandes, com espada, perna de pau, tapa-olho e um papagaio no ombro. Só tinha um ponto em comum com os piratas dos filmes: o caráter. Passava informações confidenciais, vivia da apropriação de ideias dos outros, do roubo e da cópia.
Em pouco tempo de acordos sujos e negócios roubados, ele conseguiu um cargo passando por cima de todos. Já não tinha mais amigos, só acordos políticos. Ele já não dizia que ia mudar nada a favor de ninguém, só pensava no poder e em outro cargo que poderia alcançar.
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Por Elizeth Pinheiro da Silva
Pirata
Seguindo o conceito de piratas descrito no texto Mendigos Piratas Videntes de Fabiane Borges e Thiago Novaes, criei um personagem onde ele copia as obras de artes vende estas cópias pelo valor do custo acrescido 10%, com o intuito de popularizar as obras de arte.
Senhor X é um homem de muitas habilidades artísticas. Ele fazia suas obras de arte e vendia as mesmas em uma feira de rua que ficava a beira de uma praia na zona sul do Rio de Janeiro. Senhor X sempre freqüentava exposições e vernissages que aconteciam no circuito de arte do Rio e ficava sempre constrangido com o valor cobrado pelas obras que ali eram comercializadas, por estarem dentro de uma instituição, e não em uma feira popular. Certo dia ele resolveu copiar obras eu ele acabara de ver em uma das vernissages que ele freqüentou. Escolheu a obra que estava sendo vendida pelo maior valor. Esta obra estava estampada no convite virtual da exposição.
Determinado, Senhor X começou a trabalhar em cima daquela obra caríssima e não parou enquanto não havia terminado sua cópia. Quando terminada, senhor X percebeu que o esforço gasto naquela obra nada diferia das obras que ele mesmo fazia e vendia a um valor incrivelmente menor na feira. Senhor X sabia também que o público que comprava suas obras não tinham condições financeiras para comprar aquela exposta na galeria. Então, qual a diferença entre o meu público e o público de uma conceituada galeria de arte, senão somente o recurso financeiro? As pessoas que compravam na galeria eram mais humanas que as da feira popular? Então senhor X passou a copiar as obras de arte mais caras e badaladas das exposições do circuito carioca e as colocou para vender na feira onde ele vendia suas obras. As obras que o senhor X só não eram cópias perfeitas porque ele não copiava as assinaturas dos artistas, e sim as assinavam com a sua própria assinatura, pois segundo ele, aquelas obras não eram as dos artistas institucionalizados, e sim daquele simples artista feirante.
O valor que ele cobrava pelas obras copiadas era o valor do custo dos materiais e mais 10% deste valor. Com isto, ele observou que o público não gostava mais daquelas obras copiadas que as obras de arte deles. Isto somente acontecia quando algumas pessoas haviam ido à exposição e reconhecia ali os quadros lá expostos.
Senhor X acabou sendo denunciado e processado, porém como ele não copiava as assinaturas dos artistas, ele alegou que aquelas apropriações era o seu trabalho artístico. Este evento foi divulgado por várias mídias e o senhor X foi contatado por várias galerias que ficaram interessadas em seu discurso e seus trabalhos plásticos, porém, senhor X preferiu manter seus princípios e continuar a vender suas obras a preços muito abaixo das obras institucionalizadas, porém após este episódio, suas obras de arte passaram a ser vendidas quase instantaneamente. Muitas pessoas que compravam nas galerias passaram a freqüentar a feira também, porém muitos outros continuaram a não achar válidas as obras vendidas numa feira de rua, julgando os artistas que lá expunham seus trabalhos menos qualificados que os artistas institucionalizados, assim como suas obras serem de menos qualidade.
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Pequeno roteiro de personagens imaginários a partir da leitura do texto: “Mendigos Piratas Videntes”
por Dally Schwarz
SISTEMA ONIPRESENTE SOCIAL (SOS)
CATEGORIA DOS CIDADÃOS
A- Indivíduo normativo
B- Indivíduo desviante
C- Indivíduo perigoso
FICHA DE CONTROLE DE INDÍVÍDUOS PERIGOSOS
B001

Nome: Chappa
Idade: 24
Nacionalidade: do mundo
Dia do nascimento: O dia em que fugiu da casa de sua mãe
Dia de morte: todo dia é um dia de morte
Ideal: tudo de gratis
Local que mora: Morro da Província
Atividade: poeta de rua
Tipo sanguíneo: tipo ruim
Status social: parasita
Remuneração: esmola
Contribuição social: não pra essa sociedade
Religião: ateu, graças a Deus!
Etnia: preto
Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B001 já teve passagem muitas vezes pela a polícia do sistema de controle e apresenta comportamento de desacato as autoridades. Porta imagens e uma aparência violenta, com informações consideradas ilegais e imorais para a sociedade.
Atualmente responde em liberdade por denúncias de atividades de pirataria de mercadorias e informação.
B002
Nome: Maccará
Idade: 17
Nacionalidade: 18°00′S46°30′W
Dia do nascimento: está sem a carteira de reconhecimento
Dia de morte: pressente que ainda é jovem
Ideal: poder visitar sua cidade na Zona N
Local que mora: abrigo
Atividade: catador de latinhas
Tipo sanguíneo: não sabe.
Status social: solteiro
Remuneração: por latinha
Contribuição social: já é descontada na remuneração
Religião: crente
Etnia: brasileiro
Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B002 possui distúrbios mentais evidenciados pelos centros de saúde médica do sistema social e também passagem por abrigos para cidadãos sem moradia, com fichas que evidenciam agressões a outros indivíduos. Não possui moradia, e seu registro de catador de latas está vencido. O indivíduo B002 ainda não procurou o SOS para atualizá-lo.
B003
Nome: Bella
Idade: 30
Nacionalidade: 18°00′S46°30′W
Dia do nascimento: o dia em que morri
Dia de morte: o dia em que nasci
Ideal: anarco socialista
Local que mora: ocupação Flores do Mal
Atividade: tecnoartista e contorcionista
Tipo sanguíneo: pitta
Status social: mangueio
Remuneração: freelances
Contribuição social: trabalha em um ponto de cultura autônomo
Religião: agnóstica
Etnia: parda
Informações inclusas pelo SOS:
O indivíduo B003 auxilia baderneiros em atividades ilegais, tais como invasão de prédios, manifestações públicas de grupos de esquerda. Tem suspeitas de pertencer a algum grupo intelectual de guerrilha de informação contra o sistema social. Necessita de controle na sua identificação serial para uso de sistemas de informação e internet.
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O carregador de restos
Por René Gaertner
Vivia do ofício de recolher. Sobras, excedentes, restos. E carregava-os. Restos materiais de algum objeto humano. Um enlatado constituído por artérias e veias, um gasto motor movido à propulsão sanguínea. Rodas e pedais de couro cru. Canais cartilaginosos vazios, lanternas riscadas. Arrastava-os pelo caminho, um volume cada vez maior e mais pesado. Aos poucos, nem recolhia mais. Carregava e ia arrastando o que encontrava pelo caminho. Aos poucos, carregador e restos não mais se destinguiam. Somente uma grande massa, um volume de cores e pernas andando pelo caminho. Um volume de olhos e cabeça. Uma grande massa de restos se erguendo pelo caminho.
gnocchi alla conspiranoia
13 Dec 2011 Leave a Comment
video da diana conspiranoiando
Diana j. Torres empachada de gnocchi, desvariando acerca del sida, el cambio climatico, el amor libre, la revolucion hippie, el punk, el fascismo, la absorcion institucional academica, la iglesia, el software libre, el patriarcado, lo queer, y la necesidad de una etica para toda revolucion. Todo ello aderezado con eructitos y marchas del ejercito italiano.
SEXOFONIA – Un programa de Radio
21 Nov 2011 Leave a Comment
in audio files
Diana Torres e Luci Sombra me invitaram para participar de su programa de radio sexofonia… Me preguntaran sobre mi libro Dominios do Demasiado e Breviario de Pornografia Esquizotrans
Aca tienes la manifestacion - Des-montage que Diana e Luci hablan en el principio del programa: http://www.desmontaje4f.org/
Aca tiene el programa de radio con la entrevista comigo:
http://contrabanda.org/audio/20111118-Sexofonia.mp3
here some photos
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the sound we did with the public in HACKADEMIA – Manchester-09/2011
17 Nov 2011 Leave a Comment
in audio files
Victoria Sinclair invited me to open the event Hackademia - http://www.lml.lse.ac.uk/~patrick/hackademia//styled-9/ – What I did was to divide the audience into two, one side had to say MEEEEE , the other was WEEEE – then I called someone who wanted to lead to mastery.
here is the result – I
emails mandados de pequin
15 Nov 2011 Leave a Comment
por aqui eu to confusa, confusao mental mesmo, ta dificil…
nao consigo dormir, to completamente virada,,, hj consegui queimar meu filme com
a mega industria do governo, o cara com um projeto de bilhao e umas construcoes ridiculas
para destruir toda florestinha de la, e tirar os moradores todos, pra ser numero um em fashion
no mundo, todo esse discurso de agora ‘e nossa vez. Eu nao fiz nada, so bufei empurrei a cadeira, coloquei
meu pano no pescoco e fingi um enforcamento, com a lingua pra fora deixei a mesa do restaurante…
nao preciso te dizer o quanto isso causou mal estar ne? eu dou risada, mas ao mesmo tempo ‘e um ponto mais pra ELA,
eu nao consigo vencer, ou controlar…. eu poderia ficar na maior cara legal do mundo e pensar por dentro o que eu quero,
mas orgulhosa, comeco, eu nao vou associar meu nome a essa miseria bilhionaria… Ao mesmo tempo em que entendo
que as pessoas precisam viver, que a intencao ‘e legal, que to sendo chata por nao entender que pra eles ‘e uma plataforma
de lancamento do projeto deles em nivel internacional, que ‘e preciso mesmo fazer concessoes,
me preocupo, como vou viver tendo esse tipo de atitude? como vou conseguir?
a verdade pura e dura ‘e que eu nao gosto muito dos seres humanos… aquele empresario engravatado com discurso de numero um
do mundo me deu nauseas, fiquei olhando pra ele com vergonha de estar ali, e tudo ‘e tao pomposo, te fazem crer que tu ‘e importante
e tudo ‘e uma grande bosta, e eu sou uma mal agradecida, rsssss
enfim, to sem conseguir dormir, ontem tive um panico a noite, porque o hotel 5 estrela que me colocaram ‘e todo artificial, nao tem luz do sol, nunca se sabe que horas sao, nao tem lua, e nao tem janela, claustrofobia, solidao… uma solidao profunda, eu nao conheco ninguem aqui, a verdade ‘e essa,
‘e como se eu tivesse sido catapultada pra um mundo que uma outra fabi tenha percorrido, dai cai no corpo dela… numa reuniao que nem essas
de filme, todo mundo de gravata falando em bilhoes de dolares…
tem uns passos que nao so sao maiores que as pernas, mas que sao de quebrar as pernas… eu nao sei que vida escolher, ‘e como se o mundo tivesse
dado uma oportunidade de ver o que eu to perdendo, do que ‘e feita a felicidade de um capitalista de verdade, os ganhos, a riquesa… os medianos tentando ultrapassar a muralha da riqueza, ir pro outro lado, com planos tao bonitos…
desde que cheguei o fato de dizer que sou vegetariana irrita eles, me chamam de mulcumana,,, eu so me esforco, mas nao quero comer carne agora,
enfim…. outro choque cultural, como o da india, com a diferenca que la conseguia falar com vc… o sofrimento ‘e parecido,
tenho nauseas, vontade de chorar, sou muito ingenua, este mundo dos bilhoes me deixa com medo, parece que ‘e tao obvio a precariedade
desse desejo de construir mais e mais e mais,,,, e os primeiros e os primeiros….
e eu com vergonha pq to viajando muito, com culpa… sei la o que pensar… to confusa
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Gente, desculpa, nao ‘e pra ficar falando que to viajando, nem nada,
mas aqui em Pequin, onde estou agora, ‘e bem mais claro ver a “radicalidade”
da paticipacao de uma rede social num estado de “esquerda”!
Vim aqui acompanhando uma associacao (tipo ONG) feita entre china e inglaterra,
e o projeto ‘e a construcao de uma cidade para 10 mil pessoas mais ou menos,
no suburbio de Pequin, 2 bilhoes de dolares, um projetao todo voltado a eco eco
e industria criativa na china, principalmente ligada a industria
fashion e cultural (depois conto mais detalhes), o objetivo ‘e: FAZER
OS CHINESES SER MAIS CRIATIVOS E COLOCAR A CULTURA CRIATIVA CHINEZA NA
ROTA INTERNACIONAL!!!!
dai que era so isso, ministro pra ca, embaixador pra la, senta com o
secretario, come com o deputado, toma cha com o diretor da
coorporacao, com a galera do poder toda, e todo mundo feliz, pq o
estado ‘e comunista, nos somos left pra caralho!!!
e pra quem ve de fora, da pra ver que a ONG, por mais libertaria e
aberta que seja
ja nao se sabe sem essa instancia governamental!!! e pior, a rede toda
associada a ela vai com certeza passar por varias crises, pq so uns
vao receber grana pra representar a rede atrelada a NGO, e a rede vai
continuar subsidiando a NGO com suas praticas, ideias, conceitos,
producoes, servindo de BASE LABORATORIAL, PRODUCAO INTELECTUAL,
INSPIRADORA ….
o que quero dizer ‘e: Se tem espaco para construir algo com o estado
otimo, mas atrelar uma rede social ao estado tao diretamente, eu acho
comprometedor demais…
dalton, gosto e admiro vc, mas por favor nao venha com respostas faceis!
isso nao acontece na lista, como vc disse! veja bem, talvez nao
aconteca pq ainda se ouve bastante o que as pessoas dizem por aqui,
mas a apartir do momento que tiver aqui qqr entidade representativa a
gente ‘e so parte do estado, que engole tudo e nossos representantes
vao fazer as reunioes importantes e nos deixar a par dos novos rumos,
devido sua benevolencia,
eu sei que parece simples demais o que to dizendo, mas ‘e pq to meio com pressa,
depois falamos mais,
se estou muito por fora do assunto me perdoem,
pra mim essa briga ‘e recorrente,
beijos
f
tecnomagia na lista do ipe,
15 Nov 2011 Leave a Comment
in textos e pdfs da fabiborges
tivemos uma discussao sobre tecnomagia na lista do ipe, achei a discussao inspiradora,
por isso coloquei umas partes aqui…




















