Lançamento do Domínios do Demasiado no Ônibus Carbono Neutro

SOB OS DOMÍNIOS DO DEMASIADO

Chega ao Rio de Janeiro no dia 14 de agosto o Livro “Domínios do Demasiado” da autora Fabiane Borges. Psicóloga, artista, ativista, faz doutorado em psicologia na PUC em São Paulo, vive no Rio de Janeiro, é autora também do livro Breviário de Pornografia Esquizotrans, e organizadora dos livros Peixe Morto e Ideias Perigozas da rede submidialogia.

Seu lançamento ambulante será no ônibus Carbono Neutro rodando pela cidade espalhando assim os temas abordados no livro de um modo original. O seu primeiro ponto é no Circo Voador com a noite de autógrafos começando às 19 horas, quando o ônibus pega os passageiros e faz uma volta pela cidade, com muito tecnobrega, guitarradas amazônicas, carimbó, funk carioca e as performances do Curupira. Os convidados que não pegarem o ônibus podem esperar a caravana no Quiosque Estrela de Luz, no Leme, marcado para as 21 horas, onde vai ter música, declamações, vídeos e a continuação da festa.

O ônibus Carbono Neutro é um projeto da ONG Apaverde, do estado do Pará, tendo à frente o casal de artistas multimídias André Kaveira e Élida Braz. Que já percorreram na plataforma móvel, mais de 500 municípios do Brasil promovendo arte, cultura, sustentabilidade, marchas ambientais e campanhas ecológicas, sempre difundindo a cultura amazônica. A ideia é oportunizar o espaço gratuitamente para que os artistas contemporâneos façam vernissages, lançamento de filmes, lançamento de cd’s, exposições fotográficas, e mais. Além do lançamento, a autora e a equipe do ônibus plantam 50 mudas de árvores para cumprir com o projeto Carbono Neutro, de responsabilidade ecológica. As mudas serão plantadas na Grota/Penha – Serra da Misericórdia, onde o pessoal quer reflorestar com mata atlântica toda a Serra.

Domínios do Demasiado trata de temas como gentrificação, ocupações de prédios, intervenção urbana, arte e política. Faz um louvor às práticas de ações urbanas, à colaboração! Há no livro muitas práticas esquizoanalíticas, delírios performáticos, intervenções urbanas junto a movimentos sociais, clínica de redes, eventos de arte e mídia e histórias de enfrentamento, despejos e brigas. Também tem partes mais teóricas que dialogam com teorias contemporâneas em filosofia e política. O que faz essa junção entre o Carbono e a autora Fabiane substancias para os mais amplos pensamentos.

Para conhecer mais a autora, o ônibus Carbono Neutro e a Aliança pela Misericórdia acesse:

Fabiane Borges: http://catahistorias.wordpress.com

Carbono Neutro: http://www.apaverde.org/

Grota/Penha – Morro da Misericórdia – http://aliancapelamisericordia.blogspot.com.br

contato para produção/informação: Nádia Prestes – (21) 94118436 ou Fabi Borges catadores@gmail.com

Outros Lançamentos do Domínios do Demasiado:

- Rio de Janeiro - https://picasaweb.google.com/108094216176169619701/LancametoDoDominiosDoDemasiadoNoRj14082012

TECNOMAGIA – Social fiction

TECNOMAGIA

Por Fabiane Borges*

No pasto há uma porção de antenas feitas de madeira, arame e samambaia. As pessoas estão fazendo uma rádio telescópio para detectar os sons emitidos pelos raios do sol e de Júpiter1. Elas apontam a antena artesanal para as estrelas e ouvem o ruído. Gravam o som e o transformam em ópera noise. Faz algum tempo que praticam esses atos. Invertem a lógica científica competitiva evolucionária, e voltam-se para processos mais lentos, colaborativos, involucionários. Fazem isso por acaso, ativismo, talvez companhia.

A 10 metros da antena do sol há outras dedicadas a captar informações de satélites. Ao escutar conversas aleatórias do Bolinha2, as pessoas lamentam que projetos como o Dove3, não seja algo comum. Os satélites deveriam servir para ampliar a comunicação sem restrições diz um, o outro replica: ninguém disponibilizaria a façanha sem lucro. Lhes resta decifrar dados, interferir em algumas frequências e se proteger de um possível ataque dos sistemas de controle.

Escutar tem consequências. Escuta-se demais esses incessantes dados. O que fazer com tudo isso? Quantos ouvidos precisam para dar sentido a tanta informação? Alguns fazem música, outros incorporam a gagueira das frequências, vira estilo musical – fragmentação das frequências – vira também pensamento. Modo de fazer pensamento. Como se o pensamento já não fosse assim, fragmentado e cheio de frequências. Ao invés de alma, antena.

Para Baixar o PDF, AQUI:

tecnomagia

Sobre a Pós Pornografia

Lançado primeiramente na revista Na Borda -

É um movimento sexual/social que combate, convoca e comove ao mesmo tempo. Como tudo que existe tem mundo, não seria diferente com o pósporno, tem mundo. Seus circuitos, seus sinais, seus entraves, e há muitos entraves, desde perseguição na internet até prisão, problemas com justiça. Mas o movimento se movimenta, motivado por vibradores, experiências exóticas, tóxicas, as vezes bem comuns, românticas. É que o movimento tole, mas também liberta. O pósporno libera espaço nos corpos e nos modos de desejar. É como uma confraria, uma pequena horda missionária destinada à experimentação e a narrativa, mas com potente carga virótica. O pósporno tem muitos antídotos às políticas dos desejos sexuais instituídas. Suas fórmulas vêm da invenção constante. É um movimento pragmático. Vai do ecosexo ao tecnosexo, facilitando a locomoção do olhar. Pra onde teus olhos te levam? É nessa estrutura que o pósporno mexe, ajuda teus olhos a desprogramar teu programa sexual coorporativo.

Pósporno é um dos nomes que identifica este movimento sexual/social que tenta criar alternativas para o padrão de pornografia vigente. Mas isso não é um concenso, tem muitos outros modos de reconhecê-lo, e pode também ser pensado como um movimento ontológico de manifestação da sexualidade. Não há consenso nem identidade fixa no movimento. As feministas mais radicais acreditam que o pósporno é um movimento essencialmente feminista, já que são as mulheres as que mais militam na área. Segundo elas, os homens estão mais bem servidos com a cultura sexual vigente, mas as mulheres ainda são tidas como corpos que servem à anatomia masculina, nem que seja ao olhar do macho, como no caso dos filmes lésbicos da indústria pornográfica, que mostram o tesão das lésbicas correspondendo ao padrão de desejo masculino. O manifesto contra-sexual de Beatriz Preciado1 enfatiza bem essa questão, atribuindo à palavra “sexual” o sinônimo de heterosexualidade patriarcal, e inscrevendo a necessidade de um rompimento sígnico nesse desejo “sexual” da cultura machista sustentada por homens e mulheres, o que explica o nome: Manifesto Contra-sexual!.

Para ler mais pode baixar o pdf
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TECNOXAMANISMO – UMA METODOLOGIA COMPARTILHADA – Por Camila Mello e Fabiane Borges

Uns consideram o termo fruto de um profundo exotismo, outros criticam o termo acusando-o de apropriação indevida das culturas tradicionais. Outros questionam a falta de “poder espiritual” de tais procedimentos, mas outros, os que nos interessam, vêem na conexão entre as duas formas de conhecimento indícios de uma nova ética, uma ética ecológica, ou ainda uma ética transformadora que conceba a tecnologia não como um projeto evolucionário mas como um organismo vivo, interdependente do seu meio e, assim como o próprio planeta Terra, capaz de auto-regulação.

É uma tentativa de juntar duas formas de conhecimentos que são constantemente separadas. A bruxa e o cientista. O curandeiro e o médico. A feiticeira e o robô. A convergência entre técnica e xamanismo é um investimento de reparação de erros antigos de má distribuição de saberes e julgamentos deterministas precipitados a respeito das formas de conhecimento. O tecnoxamanismo apela ao animismo, às religiões da natureza, as visões de mundo mais tradicionais, ou ainda ancestrais, a fim de trazer à tona suas sincronicidades, fazê-las interpenetrarem-se. Por outro lado investe em um futuro mais equilibrado, onde o projeto de super desenvolvimento das máquinas não acabe por criar uma fissura irremediável entre humanos e máquinas, fabricando assim robos escravizados, hackeados em toda sua expressão, dessubjetivados. O uso do nome então pode ser visto como um ativismo da matéria, um investimento na subjetividade da matéria, no atravessamento de diferentes naturezas comunicantes entre si, tirando o foco das fronteiras entre orgânico e inorgânico. Também pode ser pensado como uma forma bem humorada de lidar com catástrofes iminentes, ou ainda, como uma utopia contemporânea. De qualquer modo, a idéia da fusão desses conhecimentos vem da vontade de fortalecer seus atributos mais vigorosos: a performance técnica do xamã e a magia da máquina. Ainda não sabemos que detalhes éticos se constituem nessa transfusão, nosso deleite é investigar processos.

Para ler mais clique nesse pdf-

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LIVRO PEIXE MORTO – LIVRO PEIXE MORTO

Esse livro “Peixe Morto” surge a partir da lista de emails “Submidialogia”. Tem por
finalidade servir como um espaço de aprofundamento das discussões da rede. Se nos
emails os debates são velozes, aguerridos, ativistas e contam com uma profusão de
referências e linkanias, no livro os parceiros tem espaço para se deter mais nos detalhes,
para contar uma história de forma mais reflexiva e desenvolver o raciocínio com mais
tranquilidade.
O nome do livro foi inspirado no evento Submidialogias/201 0, que aconteceu em três
cidades do Brasil: Arraial d’Ajuda – Bahia, Baía de Paranaguá – Paraná e Mirinzal -
Maranhão. As imagens de Peixe Morto da capa desse livro foi uma convergência
performática, onde vários dos participantes do festival se deitaram no chão do mar de
Arraial D’ajuda, escrevendo com seus corpos a frase “Peixe Morto”.
Os textos são sobre a história da cultura digital brasileira, sobre os festivais de midia
como midia tática Brasil, Digitofagia, Submidialogias, sobre questões mais filosóficas
como matéria e natureza, ou ainda ecologia digital, tem também reciclagem de
computadores, rituais tecnomágicos, sexo na internet, entre outras coisas. É possível
folhear o livro e se surpreender com algumas discussões de ponta, ou críticas duras à
orgãos financiadores do Brasil, ou ainda um texto poético sobre a primavera Árabe.
O livro não é financiado por nenhuma instituição, ele tem esse carater independente e os
autores enviaram os textos generosamente através da lista de emails ou através de
convite pessoal por parte da organizadora desse livro.
Desejo aos leitores uma boa leitura, e quem quiser conhecer mais os festivais
Submidialogias acesse: http://submidialogias.descentro.org

Aqui está o livro disponível!!!!

peixemorto

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