Continuando os textos-chats, postei tambem essa conversa minha com
o glerm, sobre oficinas residencias e mobilidades – a quem interessar possa:
Enviado às 03:58 de segunda-feira
glerm: tou escrevendo um monte, mas nao sei se encaixa
no livro ainda, preciso adaptar pra algo menos localizado
agora vou partir pra uns axiomas
fabi: hei, que massa
glerm: ainda vou escrever essa parte
fabi: olha que interessante,
glerm: o que fiz mais hoje foi dar uma complementada
naquele diário
fabi: tu acha que residir e mobilizar ‘e um avanco das oficinas
eu nao tinha pensado nissso
glerm:
http://toscolao.devolts.org/?fase1
fabi: eu pensei nas oficinas por um lado
tentando negociar o caminho dos eventos de arte
e os eventos de midia, e essas oficinas todas pelo meio
glerm: eu tou querendo escrever uma coisa do tipo que
existe uma (não) localidade
principalmente pra um contexto geograficamente mais distante
(mas acho que tb ocorre na mesma cidade)
as pessoas esperam de voce uma especialidade
mesmo que não tenha a ver com tecnologia
poderia ser tambem uma aula de filosofia
sobre o tema que voce é especialista
mas seu dever é subverter esta espectativa
em funçao de ser cumplice
dos problemas imediatos do lugar
daí voce aplica aquela especialidade
(seja tecnologia ou ontologia que voce acredita e prega)
e o discurso vira um suporte da prática
(que é um puro utilitarismo anti-utópico e inerte)
fabi: hum
pq o negocio gira, que nem moinho de vento,
nao importa tanto qual aba ‘e primeiro
e principalmente, nao soluciona tanto a coisa
nesse sentido, eu gosto do slogan do submidialogia
A arte de re:volver o logos do conhecimento
pelas práticas e desorientar as práticas pela
imersão no sub-conhecimento
glerm: não sei se é uma questão de “só inverter”
mas falo de uma barreira necessária
de se romper este lugar cômodo
onde voce faz o que esperam de voce
por mais novo, diferente, ou necessário
que seja aquilo que esperam
fabi: “quebrar barreira e criar cumplicidade”
glerm: … existe uma necessidade de não se anular
dentro desse lugar que os outros ja criaram pra voce
… um dever de não-alienar-se
numa espécie de loop seguro
não sei muito bem se ainda faltam palavras pra falar disso
fabi: tava pensando no sub paranagua
como ex. do que tamo falando,
as oficinas, um evento baseado em workshops:
1- amplia o evento para a comunidade geral pra alem
dos participantes (artistas, tecnicistas),
2- funciona como uma universidade livre (cursos livres)
3- cria panorama de varias praticas e varios discursos
(aberto, gratuito, coletivo)
glerm: eu não estou negando a prática “oficina”
mas sim botando sob suspeita
fabi: rsss
sim, to pensando contigo, auahuauuhauu
glerm: é um problema básico
de retórica versus catarse
acho que tem a ver com o que vc chama de liturgia
a diferença da palavra falada
(que pode ser contradito, mas é dito como
delírio em “verdade”)
sempre colocando sob suspeita
Enviado às 04:15 de segunda-feira
glerm: humanidade “livre”…
fabi: calma
glerm: rsrs
fabi: rsss
do outro lado a residencia e mobilidade
que nao ‘e bem cartase e tal
glerm: eu digo residencia+mobilidade como um
binomio quase contraditorio
um pertencer ontologicamente mas não geograficamente
residir no sentido de ser cumplice daquela vizinhança
ao inves de apenas colocar-se na posição segura
de ser portavoz de um pragmatismo civilizatório
fabi: pode crer
mas a questao ‘e que numa residencia (seguindo a viagem)
digamos de varios artistas, ou hacklabistas )))))))))
Uau!! hacklabistas e artistas ‘e quase uma antagonia tbm, ne?
glerm: artistas e/ou hacklabistas
porque artista remete ao iluminismo (libertário mas histórico, secular)
e hacklabista ao pós-modernismo (pós-histórico)
fabi: hacklabistas teriam uma cena de construcao coletiva
a principio, enquanto artistas, ‘e trabalho pessoal,
viagem narcisista (mostra de trabalho anteriormente produzido
- relacao com o entorno, a partir da ferramenta artistica
em q vc pensa qd fala em residencia e mobilidade?
glerm: acho dificil pensar isso sem simplesmente tachar
o artista de narcisista e hacklabista como uma espécie de
templário utópico, criando a pós-sociedade, sem ego
fabi: sim, dificilimo… auauhauauahuuuhauu
glerm: os hacklabistas tb estão numa armadilha grande
são como os físicos do século 20
e acabaram fazendo a bomba atomica
igualzinhos os artistas eram para os monarcas e
seus tetos de igreja, que eram o cinema da época
ou o que é o cinema do século 20 até agora
da religião Banco -dólar – vida de cartão postal
fabi: um pouco mais aqui em baixo, vc acha que
o workshop tambem ‘e uma das ciladas do hacklabista
glerm: vamos tentar pensar por exemplo numa aula sobre Heraclito
como uma espécie de workshop
pra não ficar nessa coisa de que falar sobre linux é workshop
e uma aula sobre Esquizoanalise 20 doutorados depois
ainda não é um sistema operacional
“Penas de urubus como o novo computador quantico
da ontologia das cordas soando em pós-colonias”
(que facilmente tornaria-se uma espéccie de
performance/jogo/dança/comunhão)
e qqer coisa-fala que seria um lugar seguro
que poderia te garantir 2 anos de técnica e emprego
nesse sentido que falo um pouco
da diferença entre o workshop, mesmo que “técnico”,
sobre clínica deleuziana, heraclito ou linux
sabendo que voce não habita aquela comunidade
e por isso mesmo sua palavra vai causar um “impacto
ambiental”
vai gerar uma demanda por um emprego que você prega
existir num mundo que você habita
… voce vai ter que fazer aquele emprego
automaticamente existir naquela comunidade
e automaticamente vai ter que ja construir
desconstruindo colocando uma espécie de armadilha
pra esses espelhos distorcidos de voce
… porque de onde vc ta, voce sabe onde estão os
buracos daquilo que vc acredita
mas se vc não falar nem da parte que acredita
então tem tambem essa mobilidade
que gira em função do equilibrio das forças
fabi: que bonito, tb um exercicio de humildade
glerm: (nao sei tou digitando sem parar, nao sei ja faz sentido)
fabi: faz total
mas comeca a complexificar
mobilidade 1- de onde se parte
mobilidade 2- mobilizacao comunitaria (sincronizar desejos)
- relacionar-se com o ambiente para onde se vai
mobilidade 3- mover-se do lugar dos espelhos
abriu o leque das mobilidades
e no caso das residencias -:
1- residir no espaco que se habita,
2- residir no espaco temporario
3- presenca constante virtual
tres residencias concomitantes (no minimo)
Enviado às 04:37 de segunda-feira
fabi: residir/mobilizar – trazer um enviroment,
sem necessidade de um impacto ambiental,
mas um envolvimento com o entorno, afim de
aplicar os conhecimentos e faze-lo se exercitar,
enquanto ele mesmo ‘e reconstruido enquanto aplicado
acho que to so te traduzindo, rssss
ainda temos alguma coisa nao mao, algo sobreviveu,
ja ‘e um avanco:
armadilha 2- metodo tradicional de passar informacao
(representacao do proprio papel)
gostei particularmente da armadilha 3
glerm: ops
fabi: a promessa
terrivel, pq ‘e isso mesmo
alem de passar uma tecnica se quer mobilizar
um campo de crencas
Que so pode ser efetivado se muitas
crencas e praticas forem acionadas
glerm: eu tenho pensado em alguma coisa
que quero fazer nos proximos anos, mas nao sei por
onde começar muito bem, sem me perder completamente…
eu queria construir uma espécie de “maquina de discursos”
pra fazer essa coisa das “armadilhas” talvez
não sei bem porque na verdade
é uma espécie de dança com a linguagem
uma espécie de embaralhador sintático
que conseguisse remixar discursos
conjugando, usando adjetivos e termos de determinados
discursos… eu fico pensando daí novamente
nessa diferença entre retórica e catarse
… de que o discurso mais poético, quase oracular
seria muito fácil e divertido de produzir
mas estes discursos especializados não, porque eles
vencem muito rápido, são adaptativos
essa tecnicidade precisa se adaptar
é algo muito histórico, objetual,
nao sei se isso é meio lacanismo demais tb, estruturalismo demais
aquela coisa de “fala-ser”
… tipo tocar um violão e o livro sai pronto
por derivação gestual e memética/mimética
fabi: rsss, entendi
ando as voltas com o discurso oracular (ou a cartase)
mas ‘e um lugar dificil, pq precisa de crenca
principalmente crenca nas habilidades de modificar
os pontos de aglutinacao da concentracao, atencao, ou consciencia
e alem disso ‘e pouco provavel, e tem suas proprias hierarquias
uma delas ‘e a associacao direta com a religiao, que vai
pelo menos pra dois sentidos:
1- a ligacao afetiva com o “religioso”, simpatia por similitude
2- a outra ‘e a critica contundente a tudo que supoe a cartase
- seja por niilismo, materialismo, ateismo, cientificismo,
tem uma outra possibilidade (onde esta a aposta),
de embarcar no processo como forma de experimentacao
ve que a experimentacao aqui nao ‘e a mais forte das reacoes,
a cartase esta completamente construida tbm, muito bem alicercada
ate o inconsciente entra nesse rodao, muitas vezes,
acho que lacan foi importante pra salvar o inconsciente
das garras dos crentes
Enviado às 04:55 de segunda-feira
glerm: ´e, tudo que não se explica vira arquétipo,
mandala, cultura, rsrs
fabi: foda
mas ‘e isso mesmo, um lugar delicado de trabalhar
tu viu o videozinho que fiz do ze celso nos sertoes da bahia?
glerm: nao
fabi:
glerm: tem a ver com aquela peça do antonio conselheiro?
fabi: o teatro ritual -
sim, mas feito em canudos mesmo
glerm: vc participou da peça?
fabi: nao, so filmei
que fiz pra uma apresentacao aqui
glerm: curioso, qdo visitei o f ele falou do ze celso
fabi: esculachou? pq?
glerm: tava dizendo que a coisa dele não tem foco
nao sei direito exatamente a critica
mas algo tipo de que ele é procurado por gente muito perdida
fabi: rsssss
glerm: e que ja nao da mais conta do recado
que a maioria das pessoas que participam não tão na intenção proposta
Fabi: eu acho que o ze celso pode ter tudo, menos falta de foco
glerm: nao sei
ele nao falou extamente com essa spalavras
talvez nao tenha dito isso
mas falou de uma falta de tato
com essas pessoas surtando por la
talvez alguma coisa de pessoal nisso tb
falou que uma vez desafiou ele
falando que eles tavam profanando dionisio
fabi: o ze diz ter uma funcao no mundo, ele ‘e o profeta
- ele ‘e o profeta do ritual cetico, da religiao sem deus,,,
glerm: porque ele queria ir embora e nao quiseram
devolver o vinho dele, rsrs
fabi: outro profeta, rsss – jogo de forcas -
glerm: mas a reclamação era mas ou menos essa
acho que não falta de foco
com pessoas extremamente sensibilizadas
com aquela megalomania toda
fabi: sim, concordo, mas isso ‘e exigir que o cantor
seja legal em casa, ou o escritor, seja um bom conversador
no bar, enfim…
glerm: aquela coisa toda
fabi: o que importa aqui ‘e a obra do cara
e a obra dele procura a cartase, que e um dos nossos assuntos
a cartase , o rito e a ampliacao da consciencia atraves da
coisa religiosa/blasfema
Enviado às 05:05 de segunda-feira
fabi: o efeito e a mobilidade tambem ‘e um dos projetos
do “teatro ritual” do ze celso
se nao, nao iria fazer a peca pra cerca de 4 mil pessoas
por dia, em canudos, que foi um grande marco na cidade
que usava a tecnologia e a cartase
criar esse ambiente so com drogas e alcool,
‘e o mais obvio e facil e utilizado
para fazer de outro jeito, ‘e mais pesado, dificil e
nem sempre com mais resultados, rssss
eu nao sei pq me meti nessa, mas agora fodeu,
vou ter que dar uma de xama aqui
voltei a andar de bike, andei 50 km hoje, pra ver se
fico mais forte, pra lidar com o clima
‘e que nem ser profissional do sexo
vc treina umas passagens, e fica facil “alterar o estado” do cliente
no final, so falei disso, pra mostrar que a cartase,
como a retorica, tbm tem seus esquadrinhamentos
tu viu esse das possessoes do candomble?
tbm so 1 min.
glerm: é justamente esse ponto que é o sensível -
a diferença entre deixar o outro desejar e de embutir
um desejo, quase obrigar um desejo, por uma pretensa
liberdade que esse desejo comporta…
era essa a reclamação que eu e o f concordávamos
sobre esse tipo de ritual à la zé celso
ou eu pergunto ainda: quanto de behaviorismo pode
haver numa “esquizoanalise”
… existe essa diferença entre ouvir e deixar falar,
e de imbutir uma fala (ou falo ou falasser)
por mais “libertária” que seja a intenção
fabi: sim… mas
tem que ver se imbute mesmo, ou se ‘e uma intervencao forte,
no caso do ze celso e o silvio santos
ali ‘e briga de dois pesos pesados
nao se trata so de imbutir
se trata de mobilizar tbm
quem pode mais o sangue ou a pedra?
ze celso fraquinho nao pode com nada
muito menos com silvio santos
respeituoso, sensivel, cheio de tato,
a forca dele reside nessa incoerencia mesmo,
[te cravo a ferro o desejo pela liberdade que eu ja
vislumbrei e te reparto!]
e te abandono na sequencia
a ressaca disso tambem deve ser pesada
- vamos respeitar todo mundo, nao imbutir nada em ninguem
e deixa a midia de massa pegar tudo
os videos mais assistidos do youtube ‘e sobre o que?
glerm: nao nao, nao tou falando dessa parte mais óbvia
mas de coisas bem mais sutis
fabi: nao ‘e obvio
o ze celso ‘e a linha de frente do ritual sem religiao,
no brasil e no mundo
Glerm: como por exemplo uma atriz ficar confusa entre
a segurança de ter um parto sozinha (pois ja nao se identifica
com familiares, mas tambem é no fundo insegura quanto
a sua nova “familia” de amores dionisiacos)
disso pra algo ainda mais simples
mas que pode acabar com a vida de alguem
tipo achar que é livre porque desejou desejar o desejo do
desejo de alguem
fabi: sim, entendo
mas glerm, to cheia desse papo de cuidado por aqui,
saco cheio mesmo: cuidado, delicadeza
nao interferir, nao criar impacto
glerm: rsrs
fabi: eu nao conheco muito ator que se matou,
conheco quem o ze celso “nao deu bola”
glerm: eu tou falando talvez duma outra coisa
que é mais do cara que entra para ter auto-confiança
do que uma culpabilidade do “diretor”
fabi: enfim
rola tbm de tocar uma viola e criar monte de rituais diferentes?
eu tava precisando disso!
acho que vou dormir, sao 5:30 da manha aqui
continamos… talvez eu edite e publique no meu blog, rola?
gostei desse negocio de colar chat, rssss
Enviado às 05:26 de segunda-feira
glerm: boa sorte na edição… e deixo um abraço grande pro f,
que foi mencionado…. ou qqer pessoa que possa falar melhor
de si mesma do que eu desta… quais eram os axiomas mesmo?
abraço tb para sua pessoa, e para seu workshop liturgico que
estás a preparar
fabi: ixi, ahahah
glerm: rsrsr, saúde…